Foto: Divulgação Governo do Rio
— Essa cúpula se beneficia desse dinheiro para a compra de armas e bancar guerras, familiares e amigos, como um verdadeiro fundo previdenciário. Hoje (terça-feira) vamos ouvir pessoas que estão presas e estão sendo investigadas. Visamos a identificar e individualizar as condutas de cada um — disse o delegado Gustavo Rodrigues Ribeiro, titular da Desarme.
O policial lembra que os depósitos eram feitos em uma lotérica da Cidade de Deus, comunidade na Zona Oeste do Rio, para presos e pessoas ligadas a esses criminosos. Segundo ele, esses valores beneficiavam criminosos desde o Norte Fluminense, passando pelas regiões Serrana e dos Lagos.
— É um fundo sistêmico e estadual e atinge todas as regiões do estado. Através de 44 contas correntes eles movimentaram R$ 7 milhões em dois anos. Identificamos 84 laranjas. Quarenta e quatro estavam presos e movimentavam essa quantia de dinheiro em benefício próprio.
Para o investigador, os criminosos foram se aprimorando ao longo do tempo na utilização de laranjas para a movimentação financeira.
— Antigamente eles usavam pessoas com procurações falsas, pessoas que tinham documentos frios e recebiam para emprestar seus nomes. Hoje, com aplicativos de internet bank, eles conseguem, apenas com uma chave de tokin, movimentar milhões. Hoje eles não precisam falsificar nada. Tudo é movimentado pelo celular. Com a quebra das contas correntes verificadas, além dos parentes, eles usavam pessoas mortas para habilitar os telefones celulares para habilitarem o tokin — destacou Gustavo.
Todos eles, beneficiados, pertencem à organização criminosa.
— Sempre as movimentações financeiras aconteciam em datas próximas às visitas. Apenas uma esposa de um traficante que pertence à facção, recebia R$ 7 mil para bancar seu luxo de primeira-dama — disse o delegado.
Entre os alvos mais importantes está o Marcelo Moreira Reis, o Marcelinho da CDD, que é um dos donos de uma área da Cidade de Deus, onde foram encontradas as anotações. A família dele era a mais beneficiada.
— Queremos entender e individualizar cada conduta — salienta Gustavo Ribeiro.
Todos os envolvidos estão sendo indiciados por associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
— Já são diversas fases e, ao final da investigação, queremos entender mais a movimentação dessa organização criminosa — completou o delegado.
Estão sendo realizadas diligências em sete unidades do Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Os agentes também irão ao Presídio Tiago Teles, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do estado.