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As rodas de conversa, que passarão por outras cidades do Rio de Janeiro, buscam aproximar a população do tema, propondo um letramento coletivo sobre a história dos povos diaspóricos
O MUHCAB (Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira), um dos principais espaços-símbolo da diáspora africana no Rio de Janeiro, será palco da estreia do projeto Ori Mi – Diálogos de Ancestralidade. A iniciativa propõe encontros públicos para refletir sobre as raízes culturais trazidas pelos povos africanos e indígenas e sua influência decisiva na formação da sociedade brasileira. O primeiro encontro acontece no próximo sábado (07), às 14h, com o tema Os terreiros e a cultura afro-indígena na formação da sociedade brasileira. O evento é gratuito, aberto ao público e terá transmissão ao vivo pelas redes sociais do projeto.
Com mediação da comunicadora e cientista social Maiah Lunas, a roda de conversa contará com participações de Flávia Rios, Elaine Potiguara, Carolina Rocha e Benilda Brito, que trarão reflexões sobre espiritualidade, saberes tradicionais, protagonismo feminino e enfrentamento à violência colonial, ao racismo religioso e à invisibilização das populações indígenas nas cidades.
Para a gestora cultural Elaine Rodrigues, idealizadora do projeto, Ori Mi nasce do desejo de romper com os silenciamentos estruturais impostos à história negra e indígena no Brasil. “Ele é uma forma de recuperar, valorizar e colocar no centro do debate aquilo que sempre foi marginalizado: o conhecimento ancestral, os saberes dos terreiros, das aldeias, das ruas e da oralidade. É sobre escutar, aprender e se reconectar com o que nos constitui enquanto povo”, afirma Elaine.
Oriundo do iorubá, Ori Mi significa “minha cabeça”, remetendo ao centro espiritual e à consciência que guia a existência. A escolha do termo simboliza o convite à escuta e à reflexão como caminhos para reescrever narrativas, conectando, assim, o passado ancestral ao presente e ao futuro. A proposta é gerar um espaço de letramento coletivo, que articule espiritualidade, cultura, política e educação. “Queremos provocar um outro entendimento sobre o Rio de Janeiro, que é atravessado pela cultura negra e indígena desde o início. Essa é uma oportunidade de escutar as vozes que foram silenciadas e pensar outras formas de existir e educar”, comenta a produtora.