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“Hereditária” tem apresentações gratuitas em junho e julho nas arenas culturais

Sucesso de público nos teatros Sesi-Firjan e Sérgio Porto, peça circula pelos equipamentos cariocas

Por Portal Eu, Rio! em 17/06/2025 às 12:21:18

Fotos: Divulgação

Sucesso de público e crítica com a montagem do espetáculo nos teatros Sesi-Firjan, em 2024, e Espaço Cultural Sérgio Porto, no início de 2025, “Hereditária” volta aos palcos cariocas nos equipamentos culturais municipais do Rio de Janeiro. Em junho, a montagem terá apresentações gratuitas na na Areninha Cultural Hermeto Pascoal, em Bangu, e na Areninha Cultural Renato Russo, na Ilha do Governador. Em julho, será levado ao Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, na Tijuca, encerrando a temporada.

O projeto é apresentado pelo Governo Federal e Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Cultura, contemplado pelo edital Pró-Carioca Linguagens da Lei Paulo Gustavo, programa de fomento à cultura carioca.

“Hereditária” foi idealizado pela artista Moira Braga, que descobriu, aos sete anos de idade, uma condição genética rara - Stargardt - que causaria a perda de sua visão. A partir daí, Moira investiga os múltiplos sentidos da hereditariedade, do genético ao social. O espetáculo teve duas indicações ao Prêmio Shell de Teatro - nas categorias direção (Pedro Sá Moraes) e Cenografia (Ricardo Siri), além de indicação ao Prêmio APTR, categoria Jovem Talento (Luize Mendes Dias).

Há quase duas décadas atuando como autora, bailarina e atriz em espetáculos de dança, teatro e no audiovisual, esta é a primeira vez que Moira traz ao palco sua biografia, e tematiza a doença de Stargardt. “A ideia é dar uma resposta larga sobre de onde vem a doença”, explica Moira, “e abrir a reflexão para um leque mais amplo, investigando o que são nossas heranças e nossa hereditariedade, tudo que chega para nós através da ancestralidade, tudo que fica pelo caminho, assim como as heranças que escolhemos ter”.

A dramaturgia, composta pela atriz junto com o diretor do espetáculo Pedro Sá Moraes, entrelaça eventos da vida pessoal e dos antepassados de Moira a referências históricas e mitológicas — como o mito grego das Moiras: três irmãs funestas que tecem o destino de todos os seres. Entre o biográfico, o poético e o político, “Hereditária” reflete sobre o quanto de nossas vidas é predeterminado e o quanto temos o poder de escolher.

Mais do que acessibilidade, acesso

Para além de uma contrapartida social, a montagem de “Hereditária" tem a ampliação do acesso na raiz de sua concepção — o que é marca registrada dos trabalhos de Moira. No palco, a idealizadora contracena com duas outras atrizes, Luize Mendes Dias, também intérprete de libras, e Isadora Medella, também multi-instrumentista. Libras e audiodescrição estão entrelaçadas de forma orgânica desde a dramaturgia até as movimentações de cena, expandindo as fronteiras do que costuma se compreender por “acessibilidade". “Esse é naturalmente meu ponto de partida", diz Moira, "quero que o meu trabalho acesse o maior número de pessoas e, por isso, fomos concebendo mecanismos estéticos e dramatúrgicos que proporcionem a expansão desse acesso".


Um musical diferente

A narrativa, atravessada por canções originais compostas por Sá Moraes, possui uma abordagem estética diferente do que costuma se entender por “Teatro Musical”. A direção musical, assinada por Pedro junto com Isadora Medella, explora as vozes, os corpos e até os objetos cênicos como instrumentos musicais. Nesta forma de fazer teatro, que recebe o nome de Teatrocanção "a musicalidade é o Norte que ajuda a encontrar o tom da atuação, a pulsação de cada cena, mesmo quando não há nenhuma nota musical sendo tocada", diz o diretor, indicado ao Prêmio Shell em 2023 pela direção musical e canções originais do espetáculo “Em busca de Judith”.

O cenário é uma instalação visual e sonora do músico e artista plástico Ricardo Siri. É composto por objetos que, ao serem manipulados (pisados, percutidos, tocados, transportados) produzem os ambientes e sonoridades da peça. Para que pessoas cegas e de baixa visão tenham acesso a este cenário, serão convidadas a entrar no teatro alguns minutos antes da abertura de portas e explorar os objetos cênicos de forma táctil.

Ao contrário dos musicais tradicionais, com números de dança virtuosísticos, a direção de movimento de “Hereditária”, assinada pelo performer, ator e professor da UFBA, Edu O. parte da diversidade de potências de cada corpo para compor gestos e movimentos cênicos. Edu, primeiro professor de dança cadeirante de uma universidade pública brasileira, é uma referência no debate sobre a deficiência nas artes, e traz sua reflexão a respeito do capacitismo, ou “bipedismo compulsório” para a criação de Hereditária.

O projeto é uma correalização das produtoras Grande Mãe Produções, Movimento Falado Ltda., Sá Moraes Produções, com a direção de produção de Jordana Korich.

Impacto social

O capacitismo é um conjunto de ações e perspectivas excludentes, que refletem de forma cotidiana uma realidade social bastante grave. Um levantamento do Ministério da Saúde revela que o Brasil possui, atualmente, 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, representando 23,9% da população. Destas, quase 70% não concluíram o ensino fundamental e apenas 1% estão no mercado de trabalho.

“Esta exclusão é uma espécie de herança: de desigualdades ancestrais, de preconceitos enraizados e solidificados em oportunidades que se abrem para alguns e fecham para outros. O projeto Hereditária nasce de um desejo de explorar, de forma criativa, poética, mas também política e lúcida, as diferentes dimensões das heranças que atravessam a vida do indivíduo com deficiência, e da sociedade como um todo”, explica a idealizadora do espetáculo.

Moira comenta ainda que existem boas políticas públicas para pessoas com deficiência, como o percentual mínimo de PCDs em produções artísticas, mas ela alerta sobre a falta de informação da população em geral:

“O que precisamos agora é a ampliação do acesso à informação. Me choca a falta de conhecimento sobre o que estamos fazendo, o que é uma audiodescrição, como faz, porque é necessária. A gente precisa falar muito sobre isso. Precisamos que os patrocinadores se interessem, que o público queira conhecer”, afirma.

Fafá e o reconhecimento nacional

O trabalho de Moira Braga ganhou alcance nacional em 2022, quando participou da novela Todas as Flores, da TV Globo, como a personagem Fafá. “Comecei como preparadora de elenco, trabalhei com todos e acabei entrando para o elenco também”, diz.

Em 2024 foi convidada novamente, para trabalhar na preparação de elenco da novela Renascer. “A novela Todas as Flores tinha a temática da deficiência, a mocinha da novela, interpretada pela Sophie Charlotte era deficiente visual, mas Renascer não tinha nada a ver com o tema da deficiência, então me chamaram de volta pelo meu trabalho e não pela temática”, pondera.

“Isso é muito importante pra gente, pessoas com deficiência, sermos chamadas não só para falar da deficiência. A gente quer trabalhar, fazer o que sabemos fazer”, finaliza a artista.

SERVIÇO:

“Hereditária”

Mês de Junho:

18/06 – (quarta-feira), às 13h

Local: Areninha Cultural Hermeto Pascoal, em Bangu. Praça Primeiro de Maio, s/n - Bangu,RJH

25/06 – (quarta-feira), às 15h30

Local: Areninha Cultural Renato Russo, Aterro do Cocotá

Parque Poeta Manuel Bandeira, s/n – Ilha do Governador,RJ

Mês de Julho:

03/07 – (quinta-feira), às 19h.

Local: Centro Coreográfico da cidade do Rio de Janeiro na Tijuca. R. José Higino, 115 - Tijuca, RJ

Ingressos gratuitos: distribuição por ordem de chegada, uma hora antes, na bilheteria das arenas.

Todas as apresentações contam com acessibilidade atitudinal ou comunicacional para pessoas com deficiência. Libras e audiodescrição fazem parte da encenação da peça.

Duração: 60min

Classificação Livre




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