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Você já se pegou afastando o rosto discretamente durante uma conversa por causa do mau hálito de alguém? A situação é desconfortável para quem sente — e ainda mais delicada para quem precisa falar sobre isso com um amigo, colega de trabalho ou familiar.
Embora seja um tabu, o mau hálito (ou halitose) é um problema comum que atinge cerca de 1 em cada 3 pessoas em algum momento da vida, segundo a Associação Brasileira de Halitose (ABHA). E a boa notícia é que ele tem solução — desde que identificado corretamente e tratado com cuidado.
“O maior desafio é mesmo o constrangimento. Ninguém quer magoar o outro, mas também não dá para ignorar algo que afeta a convivência. Por isso, é preciso abordar com empatia e foco no cuidado”, orienta a Dra. Vera Lúcia, especialista em terapia ortomolecular. “O ideal é trazer o tema com sutileza e sempre em particular. Você pode dizer algo como: ‘posso te contar uma coisa com carinho, que talvez você nem perceba, mas pode ser importante pra sua saúde?’”, sugere.
A causa mais comum está na própria boca: saburra lingual (aquela camada esbranquiçada na língua), problemas gengivais e cáries são responsáveis por cerca de 90% dos casos. Mas nem sempre a origem está na escovação.
“Problemas gástricos, uso de certos medicamentos, desidratação e até jejum prolongado podem causar mau hálito”, explica o Dr. Edinei da Silva, cirurgião-dentista da Unicamp. “Por isso, o diagnóstico correto é fundamental. Às vezes o paciente escova os dentes religiosamente, mas está com refluxo ou desequilíbrio intestinal.”
Segundo a Dra. Vera, o mau hálito também pode estar ligado a um desequilíbrio metabólico. “Na terapia ortomolecular, observamos que deficiências nutricionais, acúmulo de toxinas e alterações hormonais podem contribuir. Ajustes simples na alimentação e suplementação adequada fazem muita diferença”, explica.
Se você quer ajudar alguém, evite piadas, indiretas ou expor a pessoa em público. Prefira um momento reservado, seja cuidadoso nas palavras e esteja disposto a indicar ajuda especializada. Lembre-se: quem sofre com mau hálito geralmente não percebe — e precisa de acolhimento, não julgamento.