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Redes sociais, autoestima e ansiedade: quando o like não basta

Brasil lidera o ranking mundial no tempo médio diário gasto nas plataformas: cerca de 3h49min

Por Portal Eu, Rio! em 13/08/2025 às 20:13:50

Fotos: Divulgação

Com quase quatro horas diárias conectados às redes sociais, os brasileiros estão entre os usuários mais ativos do mundo. O dado impressiona e chama atenção para um fenômeno que tem se agravado: o uso excessivo das plataformas digitais, embora traga inúmeras facilidades, está cada vez mais associado ao aumento de casos de ansiedade, depressão e baixa autoestima, sobretudo entre os jovens, ainda que os efeitos se espalhem por todas as faixas etárias. Um exemplo disso é o da influenciadora Gkay, que revelou no início do ano estar em tratamento para lidar com distorção de imagem. A pressão estética intensificada pelo ambiente digital a levou a reavaliar sua própria aparência, a reduzir o número de procedimentos estéticos e a buscar apoio psicológico.

A psicóloga Denise Tinoco Bedim, professora da Unig (Universidade Iguaçu), afirma que o problema começa quando as redes deixam de ser ferramentas de conexão e passam a alimentar comparações irreais.

“Ao se depararem com corpos padronizados, rotinas perfeitas e conquistas constantes, as pessoas, sobretudo jovens, passam a se comparar e podem desenvolver sentimentos de inadequação. Isso distorce a percepção que têm de si mesmos e fragiliza sua identidade, o que em alguns casos pode levar à depressão e à ansiedade”, explica.


Quando o feed vira armadilha

A comparação social, mesmo inconsciente, é um dos principais gatilhos desse processo. Denise recorre à psicanálise para explicar: trata-se de um mecanismo de defesa do ego, chamado idealização, ativado diante de sentimentos de vazio e insegurança.

“Mesmo sabendo que as redes mostram apenas recortes, reagimos emocionalmente”, pontua a especialista. “As postagens nas redes sociais podem ativar sensações de pertencimento social, de mecanismos de comparação, de busca por padrões ‘perfeitos’ ainda que dentro de uma realidade editada, reforçando a ideia da busca pela completude, tão sonhada e imaginada”.

Estudos recentes confirmam o alerta. Segundo o instituto sueco Karolinska, o uso intenso de redes sociais está ligado ao aumento da ansiedade e à queda da autoestima entre adolescentes, principalmente entre meninas.

Já dados da plataforma Statista — um dos maiores portais globais de estatísticas e estudos de mercado — revelam que 81% dos brasileiros conectados à internet usam redes sociais. O Brasil também lidera o ranking mundial no tempo médio diário gasto nas plataformas: cerca de 3h49min por pessoa, superando países como Nigéria (3h44min) e Filipinas (3h38min).


Sinais de alerta

Entre os indícios de que a comparação nas redes está afetando a saúde mental, Denise destaca:

• Sensação frequente de inferioridade

• Dificuldade em aceitar a própria aparência ou rotina

• Isolamento, tristeza constante ou perda de prazer nas atividades diárias

• Medo de postar ou interagir por insegurança

• Uso excessivo de filtros ou edições em busca de aceitação

Como se proteger

A psicóloga reforça que é possível adotar atitudes simples para evitar que as redes sociais se tornem prejudiciais:

• Praticar o autoconhecimento e valorizar suas qualidades

• Evitar comparações com vidas editadas

• Seguir perfis que representem realidades diversas e positivas

• Priorizar conversas e conexões offline

• Estabelecer pausas regulares e conscientes no uso das redes

A professora da Unig reforça que não se trata de abandonar totalmente as redes, mas de usá-las com mais consciência. Para ela, é essencial investir em autoconhecimento, reconhecer as próprias qualidades e buscar equilíbrio. Reduzir a exposição digital excessiva e valorizar conexões off-line também são atitudes importantes nesse processo de fortalecimento da autoestima e saúde emocional.

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