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Estado retifica certidões de óbito de 63 vítimas da ditadura, como Zuzu e Stuart Angel

Documento passa a citar 'morte não natural, violenta', decorrente da perseguição de dissidentes políticos pelo regime militar

Por Portal Eu, Rio! em 01/09/2025 às 07:54:37

Zuzu Angel, numa foto de família ao lado de Stuart Angel, filho torturado e morto por agentes da ditadura, e das filhas Ana e Hildegard, primeira à esquerda, que recebeu os certificados de óbito retif

“Morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população, identificada como dissidente política por regime ditatorial instaurado em 1964”.

Declarações de óbitos retificadas com esse texto foram entregues, nesta quinta (28), a familiares de 63 pessoas assassinadas pela ditadura militar no Brasil (1964-1985), que haviam sido dadas como desaparecidas. A solenidade ocorreu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Foram entregues os documentos de pessoas nascidas, falecidas ou desaparecidas no Estado.

Confira aqui os nomes das vítimas com atestado retificado.

Assassinados

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, disse que o evento foi carregado de um simbolismos e significados. “Esse ato nos diz que houve um dia em que, no nosso país, defender direitos, a liberdade, a dignidade e a cidadania era se opor aos interesses daqueles que dominavam o Estado brasileiro”, afirmou.

A medida representa um marco na reparação histórica e no reconhecimento oficial dos crimes cometidos pelo Estado brasileiro durante o período ditatorial, entre 1964 e 1985, como afirmou a ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo:

"A anotação da causa de morte, o assento de óbito de pessoas mortas em decorrência de graves violações de direitos humanos de forma violenta, não natural e causada pelo Estado brasileiro é uma resposta do próprio Estado brasileiro democrático ao Estado brasileiro opressor. É uma resposta que diz que a dignidade humana está acima da barbárie e nós não nos afastaremos da luta por memória. Pois um amanhã mais justo depende do presente, depende da memória, depende das lutas coletivas."

A retificação dos documentos em casos reconhecidos pela Comissão Nacional da Verdade segue nova resolução aprovada em dezembro de 2024 pelo CNJ - Conselho Nacional de Justiça.

O CNJ determina que as certidões das pessoas mortas ou desaparecidas durante a repressão política devem registrar como causa do óbito: "Morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964".

Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre a entrega a famílias de 63 certidões de óbito

Quem explica o que muda nas certidões retificadas é a presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, Eugênia Augusta:

"Além da causa da morte, também foram preenchidos outros dados importantes nesses documentos como estado civil, número de CPF, local da morte, data aproximada, entre outros dados, num esforço hercúleo para que esse documento represente um caminho inverso ao do desaparecimento."

O Estado Brasileiro emitiu as primeiras certidões de óbito de vítimas da ditadura brasileira, em 1995, 20 anos após o fim do período militar. Mesmo assim, elas não indicavam a causa da morte. A retificação das certidões de óbito pelos cartórios foi uma das orientações que a Comissão Nacional da Verdade fez em seu relatório, publicado em 2014.

A entrega das novas certidões retificadas é mais um passo no caminho da memória, justiça, verdade e reparação. Entre os nomes das 63 certidões retificadas, entregues nesta quinta-feira está o da estilista Zuzu Angel, mãe de Stuart Edgar Angel Jones, torturado e assassinado pela ditadura, Zuzu morreu em um acidente de carro suspeito em 1976.

Mãei de Stuart Angel Jones, morto em dependências militares, a estilista Hildegard Angel foi das primeiras a denunciar internacionalmente a tortura e morreu em uma colisão até hoje não esclarecida, no final dos anos 70
Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem de Joana Côrtes, da Rádio Nacional, sobre a entrega de certidões de óbito retificadas a famílias de 63 vítimas da ditadura militar.



Por Portal Eu, Rio!

Fonte: RadioAgência Nacional e Agência Brasil

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