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O San Antonio Breast Cancer Symposium (SABCS), principal congresso internacional dedicado ao câncer de mama, apresentou na última quarta-feira (10) novos dados que reforçam o papel da alimentação na prevenção da doença. Um estudo de larga escala, conduzido ao longo de mais de 30 anos, mostrou que o consumo regular de vegetais da família do brócolis - como brócolis, couve-flor, repolho, couve e kale - está associado a menor risco de desenvolver câncer de mama, incluindo subtipos considerados mais agressivos.
Segundo os resultados divulgados, mulheres que consumiam 5 a 6 porções semanais desses vegetais apresentaram:
• 8% menos risco de câncer de mama invasivo;
• 13% menos risco de tumores com receptores de estrogênio negativos , que tendem a ser mais agressivos.
Os pesquisadores explicam que os vegetais da família do brócolis são ricos em glucosinolatos, compostos que se transformam no organismo em substâncias bioativas com potencial anticâncer. Esses componentes atuam na modulação da inflamação, no metabolismo do estrogênio e no equilíbrio do microbioma intestinal, mecanismos que podem influenciar diretamente o risco de surgimento de tumores.
Para o oncologista Daniel Musse, que participa das discussões do simpósio, os dados reforçam que pequenas escolhas cotidianas têm impacto real na saúde.
“É uma evidência sólida de que hábitos simples, baratos e acessíveis podem contribuir para reduzir o risco de desenvolver a doença. Não substitui mamografia nem acompanhamento médico, mas soma como estratégia de proteção”, afirma.
O especialista lembra que o SABCS reúne, anualmente, estudos que moldam as recomendações internacionais de prevenção e tratamento do câncer de mama.
“Quando um dado é apresentado sobre modificação do estilo de vida ou alimentaçao, a abrangência é enorme. Isso significa que podemos orientar nossas pacientes com segurança e, convenhamos, é uma medida com impactos somente positivos ”, completa.
O estudo integra a programação científica do evento, que segue até esta sexta-feira (12), reunindo especialistas de todo o mundo e apresentando atualizações sobre fatores de risco, prevenção, terapias-alvo, imunoterapia e novas abordagens para o tratamento do câncer de mama.