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Olhar atento

'Olhos do Rio' trabalha para tirar o Estado do segundo lugar na fila dos transplantes de córnea

Ministério Público Federal pressiona por atendimento urgente para 4.596 pacientes cadastrados


Estado tem ampla rede capacitada para transplantes, gargalo está na captação de córneas, vitais para cirurgias dos olhos. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) obteve a articulação da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES/RJ), da Fundação Saúde e do Banco de Tecidos do Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Rio de Janeiro (Into) para dar andamento ao Projeto “Olhos do Rio” que busca ampliar a captação de córneas e elevar o número de transplantes no estado. Atualmente, o Rio de Janeiro é o segundo estado do país com maior fila de espera, somando 4.596 pacientes cadastrados para transplante de córnea, enquanto o número de procedimentos permanece insuficiente para atender à demanda.

Dessa forma, as ações organizadas após a recomendação do MPF fortalecem a política pública de transplantes ao validar e destravar a execução do Projeto “Olhos do Rio”. A iniciativa da Central Estadual de Transplantes (CET-RJ) tem o potencial de triplicar a captação e reduzir de forma significativa a fila de espera por transplante de córnea.

De acordo com a procuradora da República Aline Caixeta, responsável pelo caso, “o direito à saúde é prerrogativa constitucional indisponível e cabe ao Estado criar condições objetivas que possibilitem o efetivo acesso ao transplante”. Segundo ela, a ampliação da captação de córneas atende ao princípio da eficiência e concretiza o direito fundamental à saúde.

Projeto “Olhos do Rio” – O MPF, acolhendo a proposta apresentada pela CET-RJ, recomendou ao estado do Rio de Janeiro e à Fundação Saúde a adoção de todas as providências administrativas e logísticas necessárias para colocar em prática o Projeto “Olhos do Rio”.

A iniciativa encontra-se tecnicamente estruturada pela CET-RJ, com etapas já concluídas, como por exemplo: a criação da Organização de Procura de Córneas (OPC), que contará com 18 enfermeiros especializados, responsáveis por atuar nos principais hospitais do estado; a contratação desses profissionais habilitados para a captação de córnea; a articulação com o Banco de Tecidos do Into; a realização de cursos de capacitação; a proposta de criação de um novo banco de olhos para as regiões Metropolitana II e dos Lagos, ampliando e descentralizando a coleta; organização e cobranças dirigidas às equipes transplantadoras. O objetivo é assegurar captação contínua de córneas, inclusive em feriados e períodos de maior demanda.

Para o MPF, as propostas voltadas ao aumento da captação de tecidos é etapa capaz de destravar o sistema: “Não basta ter bancos de olhos em funcionamento, é preciso garantir que as córneas cheguem. O gargalo está na captação, e o Projeto ‘Olhos do Rio’ enfrenta exatamente esse ponto”, reforça a procuradora Aline Caixeta.

Próximos passos – Entre as ações já encaminhadas, a CET/RJ realizará um mutirão para revisão da fila de espera, em parceria com os centros transplantadores. A primeira etapa ocorrerá no Hospital Municipal de Olhos de Duque de Caxias, garantindo que os pacientes estejam aptos e com exames atualizados.

Além disso, a CET enviará ofício aos centros transplantadores solicitando as escalas de plantão para o fim de ano, a fim de assegurar o funcionamento contínuo das equipes e evitar a recusa de córneas captadas.

Histórico – A atuação do MPF teve início em 2008, quando o fechamento do banco de olhos do Hospital Geral de Bonsucesso paralisou os transplantes no estado. Naquele ano, o MPF ajuizou a uma ação civil pública que resultou na decisão judicial que obrigou União e estado a implementar banco público de olhos. Hoje existem dois Bancos de Tecidos no estado do Rio de Janeiro, o da capital funciona no Into e outro em Volta Redonda.

Desde então, o MPF coordena reuniões técnicas com órgãos do Sistema Nacional de Transplante, CET-RJ, SES/RJ, Fundação Saúde, coordenação do Banco de Tecidos do INTO e centros transplantadores para identificar gargalos, propor correções e acompanhar a execução das políticas públicas.

Ministério Público Federal

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