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O uso do protetor solar ainda gera dúvidas, mesmo sendo uma das principais estratégias de prevenção contra envelhecimento precoce, manchas e câncer de pele. Para esclarecer os mitos mais comuns sobre fotoproteção, a dermatologista do Instituto Vivian Amaral, Isabela Paes, explica o que realmente faz diferença quando o assunto é proteção solar.
Segundo a especialista, embora haja uma percepção popular de que protetores com FPS muito elevado oferecem uma proteção drasticamente superior, a realidade é mais técnica. “A partir do FPS 30, o ganho percentual de bloqueio da radiação UVB é pequeno. FPS 30 já filtra cerca de 97% da radiação, enquanto FPS 50 chega a aproximadamente 98% e FPS 70 a 99%. Para a maioria das pessoas, o FPS 30 é suficiente, desde que aplicado corretamente e reaplicado ao longo do dia”, afirma.
No entanto, Isabela ressalta que FPS mais altos podem ser recomendados para públicos específicos. “Pacientes com melasma, histórico de câncer de pele ou hiperpigmentações se beneficiam desse ‘colchão extra’ de proteção, que ajuda a compensar falhas naturais na aplicação”, explica.
Outro erro comum é acreditar que dias nublados dispensam o uso do protetor. De acordo com a dermatologista, isso é um mito perigoso. “Mais de 80% da radiação UV atravessa as nuvens. A ausência de sol visível não significa ausência de dano. A radiação UVA, especialmente, continua agindo e é uma das principais responsáveis por manchas e envelhecimento da pele”, alerta.
Isabela também desmistifica a ideia de que o protetor impede completamente o bronzeado. “O protetor solar não bloqueia 100% da radiação. Ele permite um bronzeado mais gradual e uniforme, reduzindo inflamação, queimaduras e riscos futuros. Bronzeado com proteção é sempre mais seguro”, destaca a dermatologista.
Quanto à resistência à água e ao suor, a especialista reforça que isso não elimina a necessidade de reaplicação. “A proteção vai se perdendo com suor, fricção da roupa, oleosidade e contato com toalhas. A reaplicação a cada duas horas é o fator que mais reduz danos solares, mais até do que escolher um FPS mais alto”, pontua.
A dermatologista lembra ainda que o protetor deve ser aplicado antes da exposição. “Filtros químicos precisam de cerca de 15 a 30 minutos para se estabilizar na pele. Aplicar o produto já sob o sol compromete a eficácia da proteção”, explica.
Engana-se também quem acredita que apenas praia e piscina exigem fotoproteção. “Atividades cotidianas como dirigir, caminhar na rua ou ficar próximo a janelas expõem a pele à radiação UVA, que atravessa vidro e causa danos cumulativos ao longo dos anos”, diz Isabela.
Mesmo quem já está bronzeado deve manter o cuidado. “O bronzeado não é proteção, é sinal de dano. A pele bronzeada está mais vulnerável e com maior risco de manchas e envelhecimento precoce”, reforça.
Por fim, a especialista chama atenção para áreas frequentemente esquecidas. “Lábios e orelhas são regiões altamente suscetíveis a queimaduras e câncer de pele. O uso de protetor labial com FPS e a aplicação do filtro nas orelhas devem fazer parte da rotina diária”, conclui.