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Os dados revelam que a prevenção não faz parte da rotina da maioria da população e que a saúde segue sendo tratada essencialmente de forma reativa. Mesmo entre aqueles que já possuem diagnóstico, o acompanhamento ao longo do tempo acontece de maneira irregular, aumentando riscos e impactos na qualidade de vida. A pesquisa também mostra que 57% dos cariocas convivem com alguma condição crônica, mas a adesão ao tratamento ainda é um grande desafio. Entre os principais fatores apontados para a interrupção ou abandono do cuidado estão o custo dos medicamentos, citado por 44% dos entrevistados, a falta de tempo para manter o acompanhamento, mencionada por 23%, e dificuldades práticas de acesso aos serviços de saúde.
Além disso, o levantamento evidencia que as barreiras de acesso são estruturais e afetam diretamente a continuidade do cuidado. Aproximadamente 30% dos cariocas relatam enfrentar dificuldades logísticas para acessar serviços de saúde, como conciliar consultas com o trabalho, problemas de transporte e questões de segurança no trajeto. Ao mesmo tempo, 52% nunca utilizaram a telemedicina, o que revela uma oportunidade importante para ampliar o acesso, reduzir deslocamentos e integrar o cuidado à rotina. Os dados reforçam que a baixa adesão ao tratamento não está relacionada à falta de interesse pela própria saúde, mas a um sistema que ainda torna o cuidado complexo, fragmentado e difícil de sustentar ao longo do tempo.
A saúde mental aparece como uma demanda crescente e ainda pouco atendida. Embora 79% dos entrevistados afirmam que a saúde mental impacta diretamente a saúde física, apenas 57% sentiram necessidade ou buscaram ajuda nessa área. Entre os jovens de 18 a 29 anos, quase metade já deixou de procurar apoio psicológico por vergonha ou medo de rótulo social, evidenciando o peso do estigma como barreira adicional ao cuidado. O estudo também lança luz sobre o papel do cuidador: 45% dos cariocas exercem essa função, e 52% priorizam a saúde de quem cuidam, enquanto apenas 39% colocam a própria saúde em primeiro lugar, reforçando a tendência de adiar o autocuidado.
Ao reunir esses dados, o Raio-X do Carioca revela um sistema em que o cuidado ainda chega tarde demais, marcado por adiamento da prevenção, baixa continuidade nos tratamentos e obstáculos que afastam as pessoas do acompanhamento regular. O levantamento aponta para a urgência de modelos de atenção que tornem a saúde mais simples, acessível e integrada ao dia a dia, fortalecendo a atenção primária e o cuidado contínuo como pilares para transformar esse cenário.