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Prejuízo às investigações

Câmeras corporais de PMs que atiraram em carro de médica estavam desligadas

Comissão de Direitos Humanos da Alerj cobra da PM razão de disparos terem sido feitos antes da identificação da ocupante


Andrea Marins, médica morta ao visitar os pais em Cascadura, quando PMs confundiram o carro dela com um veículo usado por criminosos e abriram fogo. Foto: Instagram Andrea Marins

As câmeras corporais usadas nos uniformes dos três policiais militares envolvidos na abordagem, que resultou na morte da médica Andréa Marins Dias, na noite do último domingo, estavam descarregadas no momento da ocorrência.

A informação foi confirmada pela Polícia Militar, que ressaltou, no entanto, a existência de normas rígidas na utilização desses equipamentos. Elas determinam que os agentes, ao perceberem que há qualquer tipo de falha ou mal funcionamento das câmeras, regressem à unidade de origem para troca.

Os policiais seguem afastados dos serviços nas ruas e, de acordo com a PM, todos os fatos seguem sob apuração.

Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre o andamento das investigações sobre a morte da médica Andrea Marins durante uma abordagem da PM em Cascadura.

Nesta terça-feira, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado enviou ofício ao Comandante e ao Corregedor-Geral da Polícia Militar, pedindo esclarecimentos sobre a ação do 9º Batalhão, que resultou na morte da médica.

No documento, a Comissão questiona, entre outros pontos, se o protocolo de abordagem policial foi devidamente observado e qual a justificativa técnica para a realização de disparos antes da identificação da ocupante do veículo.

A presidente da Comissão, deputada Dani Monteiro, afirmou que acompanha o caso desde o início.

"Não é normal que um carro de luxo andando pelo subúrbio do estado do Rio de Janeiro seja tratado dessa forma. O mesmo tratamento não é dado na Zona Sul da cidade do RJ. Então, é preciso averiguar e entender as amarras do racismo estrutural que coloca em cheque a vida de uma mãe, uma trabalhadora, como Andrea Marins. Porque o que acontece choca todos nós, um Estado que não é capaz de proteger a vida, que executa a vida dos seus cidadãos, é um Estado que não pode permanecer dessa forma."

A médica, de 61 anos, foi atingida por tiros de fuzil, quando retornava da casa dos pais no domingo à noite, na zona norte carioca, e teve o seu carro confundido com outro, utilizado por criminosos, que faziam roubos na região.

Com informações da Agência Brasil.


RadioAgência Nacional

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