Foto: Agência Senado
O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entrou na fase decisiva de votação nesta sexta-feira (27 de março de 2026), em Brasília, com o indiciamento de 216 pessoas suspeitas de participação em um esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas. A votação deve ocorrer ainda na noite desta sexta ou avançar pela madrugada de sábado (28 de março de 2026), prazo final para o encerramento dos trabalhos.
A sessão foi aberta às 9h44, com a leitura do relatório pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Após a leitura, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que concederá uma hora de vista para análise do texto antes do início dos debates e da votação.
A expectativa é de que a deliberação final ocorra ainda nesta noite ou nas primeiras horas do sábado. Segundo Carlos Viana, há esforço para concluir os trabalhos dentro do prazo legal da comissão.
— “Minha vontade é de que a gente termine de hoje para amanhã, na madrugada se for necessário, a votação do relatório e entreguemos uma solução e o fim da CPMI para todo o país” — afirmou o presidente.
Ele também fez um apelo aos parlamentares para que garantam a aprovação do documento, destacando a importância de encerrar a investigação com um posicionamento formal.
De acordo com o relator Alfredo Gaspar, os indiciamentos se baseiam na identificação de uma organização criminosa estruturada para fraudes sistemáticas no INSS.
— “As investigações revelaram um esquema profissionalizado, dividido em núcleos técnicos, administrativo, financeiro, empresarial e político, que atuava de forma coordenada para subtrair bilhões de reais do sistema previdenciário”, declarou.
O mecanismo central das fraudes envolvia a implementação de descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas, por meio de acordos considerados irregulares.
Os investigados poderão responder por uma série de crimes, entre eles:
Organização criminosa
Lavagem de dinheiro
Corrupção ativa e passiva
Estelionato majorado
Falsidade ideológica
Inserção de dados falsos em sistemas públicos
Fraude eletrônica
Furto qualificado mediante fraude
Advocacia administrativa
Prevaricação
Entre os 216 pedidos de indiciamento, constam nomes de empresários, políticos e ex-autoridades públicas, como:
Fábio Luís Lula da Silva, empresário
Carlos Lupi
Weverton Rocha
José Sarney Filho
Gorete Pereira
Alessandro Stefanutto
Também aparecem empresários e operadores apontados como integrantes centrais do esquema, como Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Marcos dos Santos Monte, identificado como responsável pelo núcleo tecnológico da organização.
A reta final da CPMI foi impactada por decisão do Supremo Tribunal Federal. O ministro André Mendonça chegou a autorizar, por liminar, a prorrogação dos trabalhos por até 120 dias.
No entanto, em julgamento concluído em 26 de março de 2026, o plenário do STF revogou a decisão por maioria, entendendo que a prorrogação de CPIs depende de deliberação formal do Congresso Nacional.
Com isso, foi mantido o prazo final de funcionamento da comissão em 28 de março de 2026, obrigando os parlamentares a concluir a análise do relatório dentro desse período.
O presidente da CPMI alertou para os efeitos negativos de uma eventual rejeição do relatório.
— “Seria muito ruim para o país que esse relatório fosse rejeitado e que nós não tivéssemos efetivamente uma solução para a Justiça e o indiciamento das pessoas. Não haverá impunidade”, declarou Carlos Viana.
Segundo ele, o documento é detalhado e facilita o trabalho de órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público.
Se aprovado até 28 de março de 2026, o relatório será encaminhado a órgãos responsáveis por providências legais, como o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União.
A votação é considerada decisiva para consolidar os resultados da investigação. Com o indiciamento de 216 pessoas, a CPMI do INSS deve gerar desdobramentos judiciais relevantes e ampliar a pressão por mudanças nos mecanismos de controle do sistema previdenciário brasileiro.