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No mês em que é comemorado o Dia Mundial da Saúde - 7 de abril, especialistas chamam atenção para um tema ainda pouco discutido: os impactos do luto prolongado na saúde. A data, criada pela OMS - Organização Mundial da Saúde, reforça a importância de uma abordagem integral do cuidado — que inclui não apenas o corpo, mas também a saúde mental. O luto prolongado — caracterizado pela dificuldade em elaborar a perda de um ente querido ao longo do tempo — tem contribuído para o aumento na procura por atendimentos médicos e psicológicos. Especialistas reforçam que o acolhimento e o acesso à informação são fundamentais para preservar a saúde e ajudar na reconstrução da vida após a perda.
Desde 2022, a OMS passou a reconhecer o luto prolongado como um transtorno mental na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), quando a dor da perda persiste de forma intensa e incapacitante, impedindo a retomada da vida cotidiana. Especialistas são unânimes ao afirmar: falar sobre o luto é essencial para reduzir seus impactos. Algumas dicas podem ajudar no processo.
Durante dez anos, pesquisadores da Dinamarca acompanharam 1.735 pessoas enlutadas e concluíram que familiares com níveis elevados e persistentes de sintomas de luto (como tristeza intensa, dificuldade de aceitar a perda e sensação de vazio) usam mais os serviços de saúde e têm risco de morte aumentado por até uma década após a perda do familiar. Os resultados publicados na revista Frontiers in Public Health ano passado mostram a importância de tratar os sintomas o quanto antes, conforme orienta a psicóloga Marília Fernandes, do Grupo OAF;
“São vários os sinais de alerta, como isolamento social prolongado, sentimento de paralisação diante da retomada da rotina, quando a intensidade da dor não diminui com o tempo, processo de culpa excessivo ou sensação de falta de sentido na vida”, explica Marília.
O sofrimento emocional contínuo pode desencadear sintomas físicos importantes, como insônia, queda da imunidade, dores crônicas e até o agravamento de doenças cardiovasculares. Dados da própria OMS apontam que transtornos mentais já representam uma das principais causas de incapacidade no mundo, e o Brasil lidera a prevalência de depressão na América Latina. Nesse contexto, experiências de perda e luto não elaboradas impactam no desenvolvimento ou agravamento desses quadros.
Além disso, especialistas alertam que o luto prolongado pode apresentar sintomas semelhantes aos da depressão e ansiedade, incluindo tristeza profunda, perda de interesse pela vida, alterações no sono e até manifestações físicas como dores no corpo e problemas de memória. Segundo a psicóloga, o corpo responde diretamente ao sofrimento emocional. Marília Fernandes afirma que uma rede de apoio é fundamental neste momento;
“Deve-se evitar acelerar o processo de luto. As pessoas ao redor devem dar espaço à escuta, estar presentes, demonstrar apoio, evitar falas como ‘você precisa ser forte´ e ‘a vida continua´, pois revelam insensibilidade diante da dor do enlutado. Sabemos que é um momento desconfortável, de tristeza, de tendência ao isolamento, mas é importante o apoio de familiares e amigos”, diz. E a psicóloga orienta sobre como agir;
“A preocupação não deve ser sobre ter frases brilhantes ou positivas para tentar consolar o enlutado. O momento é de fazer com que se sinta confortável para que consiga falar sobre a perda e assim vá elaborando a dor e se organizando internamente em um momento tão dificil’, ensina Marília.
Quando o luto não é vivido e elaborado, ele pode se manifestar de forma silenciosa no organismo. É comum que pacientes procurem atendimento médico por sintomas físicos sem perceber que a origem está na dor emocional. Esse cenário também reflete no aumento global da demanda por serviços de saúde.
Atento a essa realidade, o Grupo OAF, que atua com serviços de assistência funeral e suporte em saúde, tem ampliado sua atuação para além dos procedimentos formais, oferecendo acolhimento e orientação às famílias no período pós-perda.
“O cuidado não termina no momento da despedida. É fundamental oferecer suporte contínuo para que as famílias consigam atravessar o luto de forma mais saudável e com menos impactos na saúde”, destaca a CEO da empresa, Karla Monielly Belchior.
Dicas para lidar melhor com o luto:
* Permitir-se sentir e expressar a dor
* Evitar o isolamento e buscar apoio emocional
* Manter uma rotina básica de autocuidado
* Respeitar o próprio tempo de recuperação
* Procurar acompanhamento psicológico quando necessário