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Abril verde

Microlesões silenciosas que transformam a dor em rotina de trabalho

Longe dos acidentes visíveis, dores repetitivas e crônicas avançam de forma discreta e revelam um problema cada vez mais comum no dia a dia profissional


Foto: Freepick

Abril marca um período importante de reflexão sobre saúde e segurança no trabalho. As campanhas costumam reforçar a prevenção de acidentes, o uso de equipamentos de proteção e a adoção de normas técnicas. Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, iniciativa do Ministério Público do Trabalho em parceria com a Organização Internacional do Trabalho, indicam que os distúrbios osteomusculares estão entre os principais motivos de afastamento do trabalho no país. Ainda assim, existe um tipo de risco que continua fora do radar da maioria das pessoas: as microlesões cumulativas.

Essas lesões não surgem de forma abrupta. Elas começam com sinais sutis, muitas vezes ignorados. Um leve desconforto no punho após horas no computador, uma tensão constante no pescoço ao usar o celular ou uma dor persistente nas costas ao final do expediente. Aos poucos, esses sintomas deixam de ser ocasionais e passam a ser encarados como parte da rotina.

Segundo o ortopedista Sergio Costa , esse é um dos principais problemas quando se fala em saúde ocupacional hoje. “Existe uma ideia equivocada de que só há risco quando acontece um acidente visível. Na prática, muitos trabalhadores convivem com processos inflamatórios contínuos, que evoluem de forma silenciosa e podem gerar limitações importantes ao longo do tempo”, explica.

A naturalização da dor é um fator que contribui diretamente para o agravamento dos quadros. Tendinites, bursites e outras lesões por esforço repetitivo se desenvolvem lentamente e, por isso, nem sempre recebem atenção no início. Quando o incômodo se torna mais intenso, muitas vezes o problema já está em estágio avançado.

Profissões que exigem repetição de movimentos ou permanência prolongada em uma mesma posição estão entre as mais afetadas. Dentistas passam horas inclinados, motoristas permanecem sentados por longos períodos e cabeleireiros trabalham com os braços elevados quase o dia inteiro. Ao mesmo tempo, cresce o número de pessoas impactadas em funções administrativas, diante de telas e dispositivos eletrônicos.

“O corpo vai dando sinais, mas eles são ignorados. A pessoa adapta a rotina, toma um medicamento por conta própria e segue trabalhando. Quando procura avaliação, já existe uma limitação funcional mais evidente”, afirma o especialista.

Além do impacto físico, a dor contínua interfere em outras áreas da vida. Pode comprometer o sono, reduzir a concentração e afetar o bem-estar emocional. Mesmo assim, por não estar associada a um evento único, ela tende a ser subestimada.

O avanço da tecnologia também contribui para esse cenário. O uso constante de celulares e computadores prolonga o tempo de exposição a posturas inadequadas e movimentos repetitivos, muitas vezes sem pausas adequadas ao longo do dia.

Para o ortopedista, o primeiro passo é mudar a forma como a dor é percebida. “Dor frequente não deve ser considerada normal. O organismo sinaliza quando algo não está bem. Reconhecer isso cedo faz toda a diferença para evitar que um quadro simples evolua para algo crônico”, destaca Sergio Costa.

Medidas simples podem ajudar na prevenção. Ajustes ergonômicos no ambiente de trabalho, pausas regulares e a inclusão de alongamentos na rotina são algumas das estratégias recomendadas. Mais do que isso, é necessário romper com a ideia de que suportar dor faz parte do desempenho profissional.



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