O futebol tem dessas ironias cruéis. Construíram um templo moderno em Belo Horizonte para ser a fortaleza do Galo, mas esqueceram de avisar ao Flamengo que, ali, ele é quem detém as chaves do portão. Neste domingo, a Arena MRV não foi um alçapão; foi um palco iluminado para um Rubro-Negro que jogou com a frieza de quem sabe que o talento, quando organizado, não respeita CEP.
Um primeiro tempo de atropelo
O jogo mal havia começado e a tática de Eduardo Domínguez já parecia um castelo de cartas ao vento. Logo aos 7 minutos, Pedro provou que o instinto de artilheiro não precisa de espaço, apenas de oportunidade. O cruzamento de Samuel Lino encontrou o destino certo, e o silêncio que se seguiu nas arquibancadas mineiras foi o primeiro sinal do que estava por vir.
O Flamengo de Leonardo Jardim não se deu por satisfeito. Com uma transição que parecia coreografada, Gonzalo Plata resolveu que o domingo pedia um quadro de arte: arrancada individual e um chute seco, de fora da área, que estufou as redes e a alma do torcedor atleticano. Antes mesmo do café no intervalo, Arrascaeta, o carrasco silencioso de sempre, aproveitou o serviço de Varela para anotar o terceiro.
A Gestão do Caos
O segundo tempo foi um exercício de autoridade. O Flamengo não precisou de pressa; precisou apenas de ordem. Enquanto o Atlético-MG lutava contra os próprios nervos e contra o fantasma da zona de rebaixamento que insiste em rondar o clube, o time carioca trocava passes como quem treina no Ninho do Urubu.
A "pá de cal" veio com a tecnologia. O segundo gol de Pedro, inicialmente travado pela bandeira do assistente, foi devolvido ao placar pelo VAR aos 38 minutos. Foi o xeque-mate em uma partida que já havia acabado muito antes.
O Saldo do Domingo
• Flamengo: 26 pontos, quarta vitória seguida e o fôlego renovado para caçar o Palmeiras na liderança.
• Atlético-MG: 14 pontos, crise acentuada e a mística da Arena MRV ferida por um retrospecto desfavorável contra o seu maior rival interestadual.