Três estudantes de ciência da computação da Universidade de São Paulo desenvolveram uma ferramenta simples, acessível e poderosa para detectar falsas informações no aplicativo de mensagens instantâneas. O projeto funciona diretamente integrado ao WhatsApp. A iniciativa já conquistou reconhecimento internacional. Foi vencedora do programa AI4Good, evento da comunidade brasileira de estudantes nos Estados Unidos.
Com esse resultado, os jovens pesquisadores foram convidados a apresentar a ferramenta na décima segunda edição da Brazil Conference, que ocorre de 27 a 29 deste mês, reunindo estudantes e lideranças brasileiras nos campi da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, a sigla em Inglês pelo qual se tornou conhecida mundialmente), em Cambridge. O aplicativo se chama 'Tá Certo Isso Aí?'. O desenvolvedor Luiz Felipe Diniz explica a importância do aplicativo para combater falsas notícias:
“Com a nossa plataforma, a gente vai auxiliar jornalistas e pesquisadores a conseguir ver em tempo real o que está acontecendo. Então, eu simplesmente encaminho a mensagem para o bot, como eu faria para encaminhar para outra pessoa e espalhar, às vezes, uma desinformação, e verifico se ela é falsa ou não”.
Qualquer pessoa pode adicionar o número do bot aos contatos do WhatsApp pelo site tacertoissoai.com.br, onde o usuário encontra um link direto para iniciar a conversa. Ao receber uma mensagem suspeita – texto, áudio, imagem, vídeo ou link – basta encaminhá-la para a verificação.
A ferramenta criada por Cauê Paiva Lira, Luiz Felipe Diniz Costa e Pedro Henrique Ferreira Silva, alunos do curso de Ciência da Computação, funciona como uma plataforma pública de análise. A solução foi vencedora do Programa AI4Good, um desafio da Brazil Conference – evento da comunidade brasileira de estudantes nos Estados Unidos. Com o resultado, eles irão apresentar a ferramenta na 12ª edição da Brazil Conference.
Para Silva e Costa, essa será a primeira viagem para fora do Brasil. “Estou bem empolgado em conhecer o MIT e Harvard e ansioso pelo jantar especial, acredito que será um momento para fazer networking”, relata Costa. O evento terá mais 25 brasileiros premiados em cada um dos programas que irão à conferência, com todas as despesas custeadas.
- Funcionamento: Basta adicionar o número do bot aos contatos do WhatsApp (35 98424-8271) e encaminhar a mensagem suspeita.
- O que verifica: Analisa imagens, áudios, textos, links e até figurinhas, verificando se a informação é verdadeira, falsa ou sem fonte.
- Tecnologia: Desenvolvido por alunos do ICMC-USP usando IA multimodal.
- Reconhecimento: O projeto venceu o programa AI4Good da Brazil Conference e foi apresentado em Harvard e no MIT.
- Plataforma: O bot funciona diretamente no WhatsApp, principal meio de disseminação de desinformação no Brasil.
O projeto foi desenvolvido a partir do hackathon 2025 do grupo de extensão Rede de Avanço em Inteligência Artificial (Raia), da USP. Com o tema Soluções para mitigar o impacto das fake news na sociedade, os jovens tiveram apenas 10 horas para propor a ferramenta, saindo vitoriosos. De acordo com Lira, quando ele soube que o edital do AI4Good estava aberto, logo comentou com os amigos para que eles pudessem se inscrever. “Foram cerca de 170 grupos inscritos e apenas oito foram selecionadas para participar do processo de monitoria e aceleração”, conta.
Curadoria de fontes confiáveis aumenta precisão da checagem, reduzindo risco de erro
Ao longo de seis semanas de aceleração, os estudantes receberam mentorias voltadas ao amadurecimento do projeto, que iam desde ajustes técnicos até decisões estratégicas sobre arquitetura e uso da ferramenta. Segundo eles, o principal salto em relação à versão inicial foi a implementação da plataforma de analytics, inexistente no protótipo apresentado no hackathon. “O tempo de desenvolvimento no hackathon era muito curto, então a gente precisava provar a ideia, não a robustez do sistema, fator que foi aprimorado durante a aceleração do AI4Good”, explica Silva.
Além da reformulação estrutural, o grupo melhorou o sistema de verificação de fatos, especialmente no processo de busca e validação das informações. Diferentemente de soluções que recorrem a qualquer conteúdo disponível na internet, o chatbot passou a operar com uma curadoria prévia de fontes confiáveis, como sites institucionais, veículos jornalísticos consolidados e plataformas especializadas em checagem de fatos. “O bot não aceita qualquer fonte. Ele faz a checagem apenas em bases que já passaram por esse filtro de confiabilidade, o que reduz o risco de erro e aumenta a qualidade das respostas”, resume Costa.
Com essa inovação, a proposta foi uma das três vencedoras do desafio do AI4Good. Além do impacto social da solução, o programa avaliou o grau de maturidade técnica alcançado ao longo da iniciativa e o potencial de escalabilidade da ferramenta, especialmente sua capacidade de ampliar o alcance e beneficiar um número crescente de usuários.
RadioAgência Nacional/Rádio Cultura FM de Belém e Agência USP