A migração de grandes instituições financeiras e investidores de alto patrimônio para a Flórida tem reposicionado Miami como uma potencial nova referência no mercado financeiro global. O movimento, intensificado após a pandemia, vem sendo liderado por nomes relevantes de Wall Street, como Ken Griffin, fundador e CEO da Citadel, que está investindo bilhões de dólares na construção de uma nova sede no distrito de Brickell.
Na opinião de executivos da Mont Asset, plataforma independente de wealth management no Brasil, a combinação de fatores como ausência de imposto de renda estadual, ambiente regulatório favorável, menor custo operacional e alta qualidade de vida tem atraído instituições tradicionalmente concentradas em Nova York e Chicago.
“Para sustentar esse crescimento no longo prazo, será fundamental que Miami invista em mobilidade urbana, educação e resiliência climática. Sem isso, o movimento pode perder força e não se consolidar como uma transformação estrutural.
Além disso, existe a necessidade de formar e reter capital humano qualificado em volume suficiente para competir com Nova York.", avaliam os executivos Gilvan Bueno, Anderson Luz e Fernando Ferreira.
Estima-se que cerca de 56 firmas financeiras já tenham ampliado ou transferido suas operações para a Flórida, representando um deslocamento aproximado de US$ 1 trilhão em ativos.
Atualmente, a Flórida concentra cerca de 2% dos ativos regulatórios dos Estados Unidos, percentual ainda inferior à sua representatividade populacional. Apesar do avanço, os especialistas destacam que Miami ainda está em fase de consolidação como hub financeiro.
O movimento também apresenta contrastes setoriais. Enquanto o segmento financeiro segue em expansão, o ecossistema de tecnologia mostrou sinais de retração recente, com queda relevante nos investimentos de venture capital e saída de alguns players do mercado.
Para os executivos, Miami representa hoje uma tese promissora e ainda em desenvolvimento, que pode redefinir o mapa financeiro global nas próximas décadas.