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Operação Riqueza Sombria caça provas contra esquema que lavou R$ 116 milhões para o Comando Vermelho

Foco é Sete Quedas (MS), porta de entrada de armas, cocaína e maconha no País; mandados de busca e apreensão somam 18, no Rio e mais três estados;

Por Portal Eu, Rio! em 02/06/2026 às 08:57:08

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) obteve na Justiça 18 mandados de busca e apreensão em residências e empresas investigadas por lavar dinheiro para a facção criminosa Comando Vermelho. As diligências são realizadas, nesta terça-feira (02/06) em quatro estados: Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Os mandados são cumpridos pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, com o apoio das forças de segurança locais. No cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os policiais prenderam duas pessoas em flagrante: Gilmar Santos da Silva, em Sete Quedas (MS) e Claudio Marteinelli Neto, em Campo Grande, também no Mato Grosso do Sul.

O GAECO/MPRJ infromou em nota oficial que o grupo investigado movimentou mais de R$ 116 milhões entre os anos de 2020 a 2025. A investigação aponta que grande parte dos beneficiários dos depósitos reside no município de Sete Quedas, em Mato Grosso do Sul. Ainda de acordo com o Ministério Público, a ligação entre o Rio de Janeiro e Sete Quedas chama atenção porque a cidade é considerada um ponto estratégico na rota de entrada de armas, cocaína e maconha no país.
O movimento financeiro identificado na investigação — com recursos saindo do Rio de Janeiro e sendo depositados em contas de cidades localizadas na faixa de fronteira — pode refletir o fluxo logístico utilizado pelo tráfico de drogas. Nesse percurso, os entorpecentes saem do Paraguai, entram no Brasil pelo Mato Grosso do Sul e seguem para o Rio de Janeiro.

As diligências ocorrem simultaneamente nos estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. No Rio, os mandados são cumpridos nos municípios de Cabo Frio e no bairro do Jacaré, na Zona Norte do Rio. As equipes atuam ainda em Campo Grande, Dourados e Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul; Ribeirão Preto e Orlândia, em São Paulo; e Formiga, em Minas Gerais. A ação conta com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e das Polícias Civis de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, além do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) carioca e sul-mato-grossense.

Os Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) revelaram que os principais beneficiários dos recursos estavam concentrados no município de Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul, cidade localizada na fronteira com o Paraguai e considerada estratégica nas rotas do tráfico internacional de drogas e armas. Os agentes identificaram que, embora os investigados declarassem baixa renda econômica, eles movimentavam cifras incompatíveis com sua realidade financeira. Os levantamentos apontaram que, entre 2017 e 2021, o grupo movimentou mais de R$ 116,6 milhões. O aumento da receita das operações financeiras chamou a atenção já que em 2019 a movimentação era muito baixa. Um dos investigados chegou a receber 54 depósitos em espécie, totalizando quase R$ 68 mil, em quatro anos.

A operação desta terça-feira tem como objetivo identificar todos os integrantes da rede criminosa, aprofundar a análise patrimonial dos alvos e responsabilizar criminalmente os envolvidos.

A investigação teve início a partir das informações coletadas em uma operação realizada em julho de 2020 na Comunidade do Tatão, em Anchieta, Zona Norte do Rio. Na ocasião, os policiais apreenderam drogas, rádios comunicadores, um simulacro de arma de fogo e diversos comprovantes bancários.

A análise dos comprovantes revelou um padrão de depósitos realizados em agências bancárias próximas a áreas dominadas pela facção criminosa Comando Vermelho, especialmente na região do Complexo do Chapadão. As movimentações ocorriam de forma fracionada, técnica conhecida como "smurfing", utilizada para dificultar a identificação pelos sistemas de controle financeiro.

De acordo com as apurações, os valores coletados com a venda de entorpecentes no Rio de Janeiro eram pulverizados em dezenas de depósitos em espécie e direcionados para contas de pessoas físicas e empresas de fachada utilizadas como "laranjas". Posteriormente, os recursos eram redistribuídos e reinseridos no sistema financeiro formal, dificultando o rastreamento de sua origem ilícita.


Fonte: MPRJ e Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro

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