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Motoristas de aplicativos trabalham seis horas semanais acima da média no setor privado

Custos mensais batem R$ 5 mil, com descontos de até 30% no ganho bruto e controle unilateral pelas plataformas

Por Portal Eu, Rio! em 23/06/2026 às 08:27:06

Custos mensais dos motoristas de aplicativos como Uber e 99 ultrapassam R$ 5 mil, em itens como seguros, mecânica e combustíveis. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O número de trabalhadores de plataformas digitais e aplicativos está crescendo no país e no mundo. Aqui no Brasil, são mais de 1,7 milhão, segundo dados do IBGE, divulgados na segunda (22) pelo Tribunal Superior do Trabalho.

O Centro de Pesquisas do TST apontou que essa relação de trabalho é problemática: as plataformas de transporte se dizem do setor de tecnologia, negando vínculo empregatício com motoristas, porém, repassando para eles os custos e riscos da atividade.

Um motorista que trabalha 22 dias por mês, 8 horas por dia, a 25 km/h em média, tem custos mensais superiores a R$ 5 mil, incluindo combustível, manutenção, desgaste do veículo, seguros, tributos, internet e alimentação.

Segundo a PNAD Contínua, esses trabalhadores sofrem sobrecarga. Em média, trabalham quase seis horas a mais, por semana, do que os do setor privado. Também não são claros os critérios para descontos de 20% a 30% dos ganhos.

Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre a pesquisa do TST abordando as condições de trabalho dos motoristas de aplicativos.

Outro problema é risco de endividamento. Bárbara Souza, 28 anos, mora em Brasília, onde, há quatro anos, enfrenta uma jornada exaustiva como motorista de aplicativo e acha que se endividar entrou na rotina para conseguir seu sustento.

A PNAD Contínua também indica que o controle da atividade é unilateral pelas empresas. A maioria absoluta dos motoristas não influencia os valores cobrados nem pode escolher clientes.

Para o presidente do TST, Luiz Vieira de Mello Filho, um discurso de "liberdade empreendedora" está encobrindo violações à dignidade.

No último mês de junho, a Organização Internacional do Trabalho aprovou a Convenção 193 sobre trabalho decente em plataformas. A Convenção pede que os países garantam para esses milhões de trabalhadores de plataforma: liberdade sindical, negociação coletiva e proteção contra trabalho infantil e forçado.

Por Portal Eu, Rio!

Fonte: RadioAgência Nacional

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