Fotos: Divulgação
Neste domingo (26), mulheres negras de diferentes regiões do estado voltam a ocupar a orla de Copacabana para a XII Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro. A concentração será a partir das 10h, no Posto 2, em uma mobilização que integra a 12ª edição do Julho das Pretas, reafirmando a luta por democracia, justiça racial, reparação e bem viver.
A marcha acontece um dia após a celebração do 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (Lei Estadual nº 5.071/2007 ) e Dia Nacional de Tereza de Benguela. A data confere maior visibilidade à luta das mulheres negras no RJ. Ao mesmo tempo, fortalece a mobilização, os fóruns, organizações e coletivos de mulheres negras, ampliando o debate sobre igualdade racial e de gênero. Vale ressaltar, ainda, a importância da participação política e social desse segmento da população, através da reparação política e social.

Com o tema ‘Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e pelo bem viver’, a edição deste ano dá continuidade ao debate que marcou a mobilização anterior. As mulheres negras defendem que o Brasil avance na adoção de políticas públicas capazes de enfrentar as desigualdades históricas provocadas pelo racismo estrutural, promovendo a restituição de direitos, a justiça social e condições dignas de vida para a população negra.
Uma organização coletiva encabeçada pelo Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro (FEM Negras-RJ), a mobilização já tem confirmadas as presenças de personalidades como as atrizes Isabel Filardis, Maria Ceiça e Tatiana Tiburcio, dentre outras.
"Vamos ocupar as ruas de Copacabana mais uma vez para afirmar que nossa humanidade é inegociável. Seguimos em marcha por um Brasil sem racismo, com dignidade, liberdade e justiça para todas, todos e todes”, afirma uma das coordenadoras do FEMN-RJ, Clátia Vieira, destacando que, “no ano passado, segundo a Polícia Militar, reunimos mais de 30 mil pessoas”.

Além de um ato político, a manifestação será um espaço de memória, de ancestralidade, de resistência e de celebração da trajetória das mulheres negras brasileiras, reunindo participantes de diferentes gerações e movimentos de mulheres negras e do movimento negro.
A XII Marcha das Mulheres Negras contará com a participação de municípios das oito regiões do Estado do Rio de Janeiro, dentre eles Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Campos dos Goytacazes, Friburgo, Angra dos Reis e Volta Redonda.
Cultura, ancestralidade e música marcam a programação artística da Marcha
Além da mobilização política, a 12ª Marcha das Mulheres Negras no Rio de Janeiro terá uma programação cultural que celebra a ancestralidade, a resistência e a produção artística negra. O evento reúne seis cantoras, dez grupos culturais, a performance "Oxum", da arte-educadora, atriz e produtora cultural Julia Dutra, além de muito samba.
Durante o percurso, apresentações artísticas de grupos culturais, como o Afrolaje, Angoleiras, Obara Ylê de Ouro e a cantora Laysa Griot, que utiliza a música para reafirmar a ancestralidade e fortalecer a cultura afro-brasileira.
Fundado em 2012, o Afrolaje é referência na valorização das tradições afro-brasileiras, com apresentações de jongo, capoeira e samba de roda, além de desenvolver ações voltadas ao fortalecimento da identidade, da autoestima e do protagonismo das mulheres negras.
Na dispersão, rodas de samba com Cassiana Pérola Negra e com o grupo Moça Prosa, momento de confraternização, celebração da resistência e fortalecimento dos vínculos entre as participantes.

SERVIÇO - XII Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro
Dia: 26 de julho (domingo)
Hora: concentração a partir das 10h
Local: Posto 2, Praia de Copacabana