Foi inaugurada, nesta quarta-feira (22), a exposição “Boi-Bumbá de Parintins: Do Brincar ao Futuro”, no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), no Centro do Rio de Janeiro. A mostra reúne mais de 300 peças distribuídas em oito salas imersivas e convida o público a conhecer não apenas o espetáculo do Festival Folclórico de Parintins, mas sua dimensão como patrimônio cultural imaterial, expressão da identidade brasileira e motor da economia criativa amazônica.
Idealizada pelo Sebrae Amazonas e realizada no Crab, a exposição chega ao Rio de Janeiro como uma mostra master, reunindo diferentes frentes de criação e realização. Nesse contexto, o Instituto Zagaia Amazônia foi responsável pela curadoria da mostra, em diálogo com o Estúdio Sérgio Matos, que desenvolveu o projeto expográfico. A exposição apresenta alegorias, figurinos, esculturas, instalações audiovisuais, indumentárias e obras produzidas por artistas dos bois Caprichoso e Garantido. O percurso também destaca projetos voltados ao reaproveitamento de materiais utilizados nas alegorias do festival, demonstrando como a criatividade dos artesãos transforma essas peças em novas oportunidades de geração de renda e fortalece a economia criativa da Amazônia.
Muito além da festa
Para a curadora da exposição e presidente do Instituto Zagaia Amazônia, Rozana Trilha, a proposta vai além de apresentar um dos maiores espetáculos culturais do país. Segundo ela, a mostra foi concebida para despertar no público o orgulho pelo patrimônio cultural brasileiro e aproximar a Amazônia dos visitantes, valorizando o Festival de Parintins como uma manifestação que reúne tradição, identidade e diversidade.
“Hoje é um dia de celebração. Nós não estamos trazendo só a força amazônica, estamos trazendo uma raiz brasileira. O Boi-Bumbá de Parintins é um patrimônio imaterial.”
Segundo Rozana, a exposição convida o público a compreender que o “brincar” vai muito além do espetáculo apresentado na arena. A proposta é fazer com que cada visitante reconheça o festival como uma expressão viva da cultura brasileira e da identidade amazônica.
“O brincar não é apenas brincar de boi. É viver a nossa cultura, viver o nosso DNA.”
A curadora também contou que o projeto começou a ser desenvolvido entre 2024 e 2025, durante a elaboração de uma iniciativa voltada à candidatura de Parintins como Cidade Criativa da Unesco. Segundo ela, o trabalho foi construído a partir da vivência com comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas e busca mostrar que o festival também é um espaço de valorização da cultura, da sustentabilidade e da preservação do patrimônio natural da Amazônia.
Uma exposição construída a partir de Parintins
Responsável pelo projeto expográfico da exposição, Sérgio Matos explica que cada ambiente foi concebido a partir das histórias contadas pelos próprios moradores da ilha, garantindo autenticidade à experiência oferecida ao público.
“Nada aqui está por acaso. Todas as salas foram desenvolvidas baseadas nas histórias que ouvimos lá em Parintins.”
As oito salas conduzem o visitante por diferentes momentos da tradição do boi-bumbá. A Sala dos Encantados recria narrativas populares da Amazônia, enquanto a Sala das Lamparinas remete às origens do festival, quando os confrontos entre os bois aconteciam iluminados apenas por lamparinas. Outro ambiente reproduz a atmosfera do Bumbódromo, utilizando recursos sonoros, iluminação e figurinos para aproximar o visitante da experiência vivida durante o festival.
Um dos destaques é o espaço dedicado aos Mini Bois Caprichoso e Garantido, concebido para aproximar crianças e famílias da tradição do Festival de Parintins. O ambiente reforça a importância da transmissão da cultura entre gerações e traduz a ideia defendida pela curadoria de que o “brincar” também é uma forma de preservar a identidade amazônica desde a infância.
O percurso é encerrado com a sala “Do Festival ao Futuro”, que reúne peças produzidas por costureiras, escultores e pintores que atuam no Festival de Parintins. O espaço evidencia a criatividade e a riqueza do trabalho desenvolvido pelos artistas, destacando como a arte produzida para o festival ultrapassa a arena e se transforma em expressão da cultura amazônica.
“A gente sabe que acertou quando as pessoas de Parintins se reconhecem nessa exposição.”
Economia criativa em destaque
Para Adrianne Antony, diretora de Administração e Finanças do Sebrae Amazonas, a realização da exposição representa a concretização de um projeto construído ao longo de muitos anos e também uma homenagem ao ex-gerente do Crab, Rony Rodrigues, que sonhava em ver Parintins representada no espaço.
“Pode parecer lugar comum dizer que é a realização de um sonho, mas esse é um sonho de muitos anos e de várias pessoas.”
Segundo Adrianne, a exposição revela ao público a essência de Parintins e evidencia a força de um povo que transforma criatividade em desenvolvimento econômico por meio do artesanato e da economia criativa. Ela destaca ainda um dos espaços mais inovadores da mostra, que apresenta pela primeira vez ao grande público objetos produzidos a partir de materiais utilizados nas alegorias do festival, ressignificados pelas mãos dos artesãos.
“Não são sobras nem rejeitos. São materiais ultranobres que encontram, nas mãos dos artesãos, novas finalidades. Isso merece ser visto pelo mundo.”
Uma experiência cultural
Com mais de 300 peças, distribuídas em oito salas temáticas, instalações imersivas, recursos audiovisuais e espaços voltados à valorização da cultura popular, a exposição demonstra que o Festival Folclórico de Parintins vai muito além da disputa entre Caprichoso e Garantido.
A mostra evidencia a potência artística da Amazônia, valoriza o trabalho de centenas de artesãos e reafirma o papel da cultura como instrumento de identidade, preservação, desenvolvimento econômico e transformação social. Mais do que uma experiência visual, a exposição oferece ao visitante uma imersão na história, nas tradições e no modo de viver de Parintins.
Ao final da cerimônia de inauguração, a programação foi encerrada com apresentações da banda Kboclos e dos bois-bumbás, levando ao público presente um pouco da emoção vivida anualmente na arena do Bumbódromo e encerrando a noite em clima de celebração da cultura amazônica.
Mais do que apresentar alegorias e obras de arte, “Boi-Bumbá de Parintins: Do Brincar ao Futuro” convida o público a vivenciar uma cultura que resiste, se reinventa e reafirma a diversidade brasileira. A mostra celebra a força da Amazônia e convida cada visitante a reconhecer, no Festival de Parintins, um patrimônio vivo do Brasil.
Serviço
Exposição: Boi-Bumbá de Parintins: Do Brincar ao Futuro
Local: Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab)
Endereço: Praça Tiradentes, nº 69, Centro, Rio de Janeiro (RJ)
Período: Até março de 2027
Funcionamento: Terça-feira a sábado, das 10h às 17h
Entrada: Gratuita