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Estado do Rio recolhe para preservação documentos da polícia política do Estado Novo

Itens eram mantidos em condições precárias na antiga sede do Instituto Médico Legal, na Lapa

Por Portal Eu, Rio! em 24/07/2026 às 09:15:20

Fotos Felipe Nin Coletivo RJ Memória, Verdade, Justiça e Reparação

O Ministério Público Federal (MPF) acompanhou, na manhã de quarta-feira (22), mais uma etapa do recolhimento do acervo histórico mantido no antigo prédio do Instituto Médico Legal (IML), na Lapa, região central do Rio de Janeiro. A operação integra o cumprimento das decisões judiciais obtidas pelo órgão para assegurar a retirada integral e a preservação dos documentos armazenados em condições precárias no imóvel.

Nessa fase, foram transferidas pastas de assentamento funcional de agentes da antiga Delegacia Especial de Segurança Política e Social (Desps), órgão que atuou como polícia política durante o Estado Novo; além de microfilmes contendo laudos cadavéricos produzidos entre 1965 e 1982. O trabalho é realizado pelo Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro (Aperj), em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Coletivo Memória, Verdade, Justiça e Reparação e o Programa Pró Memórias, do Instituto Galo da Manhã.

Nova etapa — O material recolhido amplia o conjunto de documentos históricos retirados do antigo IML desde maio deste ano. As pastas funcionais podem contribuir para pesquisas sobre a estrutura da repressão estatal durante o Estado Novo, enquanto os microfilmes preservam registros periciais produzidos ao longo de quase duas décadas.

O acompanhamento permanente do MPF busca assegurar que a remoção ocorra com critérios técnicos, evitando perdas de documentos relevantes para a reconstrução da memória histórica brasileira e para investigações relacionadas a graves violações de direitos humanos.

Histórico — A atuação do MPF começou em março de 2025, após inspeções identificarem um cenário de abandono no prédio do antigo IML. Os documentos estavam expostos à umidade, infiltrações, fezes de pombos, riscos de incêndio, invasões e deterioração acelerada, colocando em risco um dos mais importantes acervos documentais sob guarda do estado do Rio de Janeiro.

Diante da situação, o MPF abriu procedimentos, realizou diligências técnicas e ajuizou ações civis públicas para garantir a preservação do patrimônio documental. Ao longo do processo, decisões da Justiça Federal e do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) determinaram medidas para proteger o imóvel, reforçar sua segurança e assegurar a retirada do acervo para instalações adequadas.

Em março de 2026, sentença da Justiça Federal determinou que a União concluísse a reversão do imóvel e que o estado do Rio de Janeiro promovesse a retirada e o tratamento técnico de toda a documentação.

Etapas anteriores — A primeira etapa do recolhimento ocorreu em maio deste ano, quando foram retirados livros de registro de entrada e saída de corpos do IML, livros de registro de óbitos das décadas de 1960, 1970 e 1980, objetos tridimensionais, mapas e fotografias.

No início deste mês, uma segunda operação garantiu a transferência de sete ficheiros contendo documentos sobre agentes das ditaduras do Estado Novo e do regime militar.

Com a nova retirada, o MPF dá continuidade ao acompanhamento do cumprimento integral da decisão judicial, até que todo o acervo histórico seja transferido para ambiente adequado de conservação.

Para o procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto Julio Araujo, “cada etapa concluída representa mais um avanço na proteção de um patrimônio documental indispensável para preservar a memória histórica do país e garantir o direito à verdade”.

Processo nº 5098187-12.2025.4.02.5101/15ª Vara Federal do Rio de Janeiro

Fonte: MPF

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