Presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, destacou novos segmentos, como as usinas eólicas offshore, como oportunidades para consolidar recuperação da cadeia produtiva da indústria naval no Estado do
Aproximadamente 20 mil visitantes circularam pela maior edição da Navalshore - Feira e Conferência da Indústria Marítima, encerrada nesta quinta-feira (20), no ExpoRio Cidade Nova, no Rio de Janeiro. As projeções iniciais apontam para aproximadamente R$ 12 bilhões em negócios gerados pelos 170 expositores e 700 marcas presentes. A Navalshore celebrou sua 20ª edição com 4,2 mil m² de área ocupada - 13,5% a mais que no ano anterior.
O movimento nos três dias da feira reiterou o bom momento da indústria naval brasileira e, em especial, do Rio de Janeiro, que concentra 82% das plataformas marítimas em operação, 48% dos estaleiros brasileiros e 36,5% do total de 181 mil empregos relacionados às atividades navais no Brasil, conforme os dados apresentados pela FIRJAN - Federação das Indústrias do Rio de Janeiro no primeiro dia.
No total, foram 36 palestras que abordaram temas importantes para o setor. A descarbonização da frota e as mudanças climáticas estiveram entre os principais debates do último dia da Conferência. As discussões abordaram a redução das emissões nas operações marítimas, os impactos de eventos climáticos extremos sobre a navegação, os sistemas portuários e os caminhos para adaptação da infraestrutura.
A programação também contou com o painel “Descomissionamento: regulação, economia e cadeia de serviços em construção”, que reuniu representantes da UFF, ANP, OceanPact, FGV Energia e Destri Energy. O debate abordou a evolução da atividade de descomissionamento no Brasil e as oportunidades para empresas de engenharia, serviços, logística e reciclagem associadas à retirada de ativos offshore.
Na sequência, Jones Soares, diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, apresentou o Plano de Descarbonização da Frota da companhia. Eficiência energética, modernização dos navios e adoção gradual de tecnologias e combustíveis capazes de reduzir as emissões das operações marítimas foram abordados. Entre as soluções previstas no plano estão sistemas de propulsão híbrida, recuperação de calor, conexão elétrica em terra e, em etapas posteriores, combustíveis alternativos e tecnologias de propulsão assistida pelo vento.
O encerramento da conferência foi marcado pelo painel “Mudanças climáticas – impactos na navegação doméstica e sistemas portuários”. Representantes da IMO, do Pacto Global da ONU, da Associação dos Terminais Portuários Privados (ATP) e da ANTAQ discutiram os efeitos de eventos climáticos extremos sobre a operação portuária e a navegação, além da necessidade de investimentos em infraestrutura resiliente e de adaptação às novas condições ambientais.
Com os debates, a Navalshore 2026 encerrou sua conferência colocando em evidência uma agenda que combinou transição energética, adaptação climática, novos mercados e inovação tecnológica, em um momento de retomada dos investimentos e das encomendas da indústria naval brasileira.