Samuel Lino comemora o gol do Flamengo. Foto: Gilvan de Souza
Há tardes no Maracanã em que o futebol abandona a mera contabilidade dos números para se tornar pura poesia em movimento. Este domingo de sol forte e arquibancadas pulsantes não foi diferente. No gramado sagrado do templo carioca, o clássico entre Flamengo e Botafogo, válido pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, não entregou apenas um placar expressivo de 3 a 0, entregou uma afirmação categórica de intenções na briga pelo título.
Desde o apito inicial, o ar do clássico exalava aquela tensão característica do futebol do Rio. Mas bastaram doze minutos para que a narrativa do jogo ganhasse seu personagem principal. Samuel Lino, em tarde inspirada e iluminada, abriu o caminho rubro-negro com a frieza dos grandes definidores. O primeiro gol foi o cartão de visitas de uma atuação dominante: posicionamento afiado, leitura rápida de espaço e a rede balançando para incendiar a maior parte das arquibancadas.
O Botafogo tentou reordenar suas linhas e responder à altura, mas encontrou um Flamengo senhor do meio-campo e letal nos momentos decisivos. O tempo passava e a vantagem rubro-negra parecia não apenas um resultado momentâneo, mas o reflexo fiel da imponência tática em campo.
Na etapa final, quando o Glorioso buscava fôlego para reagir, veio o golpe de misericórdia. Novamente ele: Samuel Lino, aos 40 minutos do segundo tempo, selou uma atuação impecável ao marcar o segundo gol da tarde. Com a estrela brilhando intensamente, o atacante consolidou-se como o grande nome do espetáculo. E para transformar a vitória em goleada com contornos de festa, Carrascal ainda encontrou espaço no apagar das luzes para decretar o 3 a 0 definitivo.
Com o apito final, a vitória consolida o Flamengo com 48 pontos na vice-liderança, colando de vez no topo da tabela e jogando a pressão diretamente para o Palmeiras. Já o Botafogo, estacionado nos 30 pontos na 12ª posição, junta os cacos para recalibrar a rota na sequência do campeonato.
Ao torcedor rubro-negro que deixou o Maracanã cantando a plenos pulmões, fica a certeza de que a caça ao líder segue mais viva do que nunca, impulsionada por tardes em que o talento individual se curva perfeitamente ao coletivo.