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FLOR reúne mais de 1.500 pessoas em programação cultural na Zona Oeste do Rio

Evento teve cerca de 60 atividades e reuniu estudantes de escolas públicas, artistas, escritores e produtores culturais

Por Portal Eu, Rio! em 22/09/2026 às 18:32:01

Fotos: Divulgação

Mais de 1.500 pessoas participaram da quinta edição da Feira Literária do Oeste do Rio (FLOR), realizada em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Promovido pela ONG Ser Cidadão, o evento reuniu cerca de 60 atividades entre literatura, teatro, dança, exposições, lançamentos de livros, oficinas e debates. A programação teve forte participação de jovens, principalmente estudantes da rede pública de ensino.


Durante os dias de evento, estudantes tiveram contato com escritores, artistas, professores e produtores culturais em atividades que abordaram temas como memória, identidade, território, acessibilidade e processos de criação artística.

Escritor e dramaturgo Dias Gomes foi o homenageado desta edição. Autor de obras como O Bem-Amado, Roque Santeiro, Saramandaia e O Pagador de Promessas, o dramaturgo também possui uma relação com a região. Parte das gravações de O Bem-Amado foi realizada em áreas como Santa Cruz e Sepetiba.

homenagem ganhou uma versão no palco da própria feira. Participantes das oficinas de teatro da ONG Ser Cidadão apresentaram uma montagem de O Bem-Amado, dirigida por André Avram, professor responsável pelas oficinas.

A FLOR é realizada por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, com realização da Ser Cidadão, da Secretaria Municipal de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, patrocínio da Universidade Estácio de Sá, do Instituto YDUQS e da Oliveira Trust, e apoio da Approach, do hotel Hilton Barra Rio de Janeiro e do Grupo GR. Além disso, é realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com realização do Ministério da Cultura e patrocínio da com patrocínio da FCCSA.

A ONG Ser Cidadão é um espaço de realização de cultura, educação e projetos de futuro. Presidida por Letícia Monte, a ONG é, desde 2002, um ponto de encontro de arte, cultura e educação. Ao longo do tempo, tornou-se referência na criação de oportunidades para jovens das periferias cariocas.


Uma festa que reuniu artistas, intelectuais, professores e, principalmente, a juventude, maior parte de alunos de escolas públicas. Assim foi a quinta edição da Feira Literária do Oeste do Rio (FLOR), realizada pela ONG Ser Cidadão, que terminou neste sábado, em Santa Cruz, com apresentações musicais e muito, muito debate de ideias. O homenageado deste ano foi o escritor e dramaturgo Dias Gomes, autor de obras como “O Bem-Amado” (novela e seriado), “Roque Santeiro”, “Saramandaia” e “O Pagador de Promessas”.

O último dia foi marcado por um debate profundo sobre a cultura (ainda) periférica. Na mesa “Hip-hop: A rima, o livro e a luta”, o MC DK-47, o slamer Ocotta e a escritora Tamiris Coutinho, autor do livro “Cai de boca na b...”, trocaram experiências sobre o tema.

Curador da feira literária, Francisco Jorge atribuiu o sucesso do evento ao processo de escuta realizado pela ONG com os jovens.

“A gente está consolidando o evento na cena cultural da Zona Oeste e caminhando para consolidar na cena do Rio. Nosso acerto é apostar na formação de plateia e na escuta, para saber o que verdadeiramente interessa ao público”, afirma.

A feira literária foi intensa desde o início. Logo na abertura, na última quarta-feira, chamou a atenção a exposição “Cenários de Sucupira”, com curadoria de João Coutinho, de 24 anos, e imagens feitas pelos alunos da ONG. Vale lembrar que o casarão que sedia a ONG serviu como cenário para a fictícia prefeitura de Sucupira, ponto central de muitos acontecimentos de “O Bem-Amado”.

João Coutinho conta que a equipe buscou nas imagens a transição do arquétipo da obra de Dias Gomes para a realidade.

“Mostramos que enquanto há lugares preservados, como o casarão que abriga, há outros completamente deteriorados, caso de alguns locais em Sepetiba”, conta João, citando a visão crítica sobre a relação dos representantes do povo com suas obras.

No segundo dia da feira, quinta-feira, as crianças, orientadas pela professora Cimara Mattos na oficina "Ecomuseu Convida: Que história você tem para contar", brilharam com suas histórias.

"É sempre assim nas oficinas. Mesmo usando a imaginação, a realidade deles vem surgindo", conta a professora Cimara.

O ator e escritor Ernesto Xavier e a atriz Luana Xavier falaram sobre sua relação com a Zona Oeste e o desdobramento natural da carreira artística com raízes da região na mesa "Herança de lugar - Sepetiba e o território como legado". Eles contaram sobreas referências obtidas em Sepetiba, onde passaram a infância e parte da adolescência,

"A gente precisa lembrar de onde veio, do barro que é feito", destacou Luana.

Autor do livro "Na trilha dos orixás", Ernesto afirmou que suas vivências em Sepetiba foram fundamentais para que sua obra existisse.

"Sepetiba era um lugar com grande concentração de terreiros, existia um convívio pacífico com outras religiões. Era naturalizado viver minha religião. Até na escola tive facilidades com isso, como nas ocasiões de preceitos. Por isso, pude viver intensamente essa ligação", conta.

Durante todos os dias, houve ainda dança, música e diversas atividades, como oficinas de mídias sociais, de drone, fotografia e robótica. Aconteceu ainda a apresentação da peça "O Bem-Amado", encenada pelo grupo da Oficina de Teatro Ser Cidadão.


Teatro como formação

Para parte dos participantes da montagem, o espetáculo marcou um dos primeiros contatos com o teatro. As oficinas são divididas em módulos iniciante e avançado e trabalham, além da atuação, aspectos relacionados à criação coletiva e à relação dos participantes com o território.

Segundo André Avram, a proposta é utilizar as experiências dos integrantes como parte do processo de criação artística.

“Compreendemos o território como cenário, mas também como espaço de memória, identidade e pertencimento”, explica o diretor.

A montagem também integra uma proposta de ampliar a presença da Zona Oeste como espaço de produção cultural, estimulando a criação de narrativas a partir das experiências de quem vive na região.

Memória e literatura

A literatura e a memória estiveram entre os principais temas dos debates. Na “Mesa Narrativa da Memória”, mediada por Camila França, os escritores Carlos Eduardo Pereira e Ieda Magr discutiram a relação entre experiências pessoais e produção literária.

O encontro abordou o caráter fragmentado da memória e a possibilidade de transformar acontecimentos cotidianos em narrativas. A discussão também trouxe a questão da acessibilidade a partir das experiências de Carlos Eduardo Pereira, que é cadeirante e falou sobre mobilidade e participação das pessoas com deficiência no espaço urbano.

A atividade propôs ainda uma reflexão sobre o papel da literatura para além dos espaços tradicionais de produção e circulação, considerando as experiências dos estudantes e da comunidade como parte da construção de conhecimento e de novas narrativas.

Literatura, identidade e território

Outro debate da programação foi a mesa “O Mito do Herói Literário”, que reuniu o poeta Éle Semog e a escritora Marcele Oliver, com mediação de Keila Vieira.

A conversa utilizou a figura do herói na literatura como ponto de partida para discutir identidade, memória e pertencimento. Éle Semog destacou a presença da poesia nas experiências do cotidiano e a importância do território na construção das histórias individuais e coletivas.

Marcele Oliver abordou o reconhecimento da própria produção artística e a valorização das trajetórias construídas nos territórios de origem.

A discussão reforçou uma questão presente em diferentes atividades da FLOR: a possibilidade de transformar as experiências da Zona Oeste em matéria para a produção cultural.

Arte, design e novas narrativas

A programação também contou com a mesa “Os Traços que Valorizam o Território”, com os artistas Valu Vasconcellos e PJ Kaiowá e mediação do produtor cultural Anderson Assis.

Voltada a estudantes de escolas públicas e pessoas interessadas em design, a atividade discutiu processos criativos e a transformação de experiências pessoais e coletivas em imagens e narrativas.

O cotidiano e o território foram apresentados como fontes de inspiração para a criação artística. A conversa também abordou as possibilidades oferecidas pelas ferramentas digitais e a necessidade de observar, organizar e transformar experiências em trabalhos capazes de dialogar com diferentes públicos.

Juventude no centro da programação

Além das mesas de debate, a FLOR ofereceu atividades de fotografia, drone, teatro, dança e outras linguagens artísticas, ampliando as possibilidades de participação do público jovem.

A presença de estudantes da rede pública foi um dos elementos marcantes da quinta edição. Ao longo da programação, eles compartilharam os mesmos espaços de debate e criação com escritores, artistas e profissionais de diferentes áreas.

Com mais de 1.500 participantes, cerca de 60 atividades e uma programação voltada a diferentes faixas etárias, a quinta edição da FLOR encerrou sua programação em Santa Cruz tendo como um de seus principais eixos a aproximação entre cultura, educação e território.

A feira também reforçou a proposta de dar visibilidade às histórias, artistas e produções culturais da Zona Oeste, criando espaços para que a região seja apresentada não apenas como cenário, mas como lugar de criação e produção de novas narrativas.

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