Portal de Notícias Administrável desenvolvido por Hotfix

Arte, literatura e história

Cemitério da Penitência tem programação especial no feriadão de outubro

Passeio terá contação de história sobre o livro "Miguel foi pro céu"


Foto: Divulgação

Arte, literatura e história fazem parte da programação especial do Cemitério da Penitência de sábado (10), no feriado prolongado de outubro. As atrações da nova edição do Necrotour Infantil convida crianças e suas famílias a conhecer o espaço de uma maneira diferente, observando esculturas, símbolos, detalhes arquitetônicos, vegetação e outras curiosidades que fazem parte da história do Rio de Janeiro. Nesta edição, a literatura infantil ganha destaque com um bate papo com a autora do livro Miguel foi pro céu.

Ana Rebello, imortal da Academia de Letras e Artes do Estado do Rio de Janeiro (Alarj) e mentora de Marketing e Comunicação para cemitérios e funerárias, irá conduzir uma contação de histórias, a partir do seu livro, o primeiro da coleção Fale a Verdade Apesar da Idade, criada pela autora para abordar o luto sob a perspectiva infantil e ajudar pais e crianças a conversarem sobre a morte de maneira verdadeira, acolhedora e adequada a idade.

Em Miguel foi para o céu, a autora conta a história de uma criança de cinco anos, brincalhona e sapeca, que faleceu após sair para brincar com os irmãos. A narrativa acompanha a forma como a família vivencia a perda e, principalmente, como comunica às crianças a verdade sobre o que aconteceu, com a ajuda da matriarca da família, a avó. “É ela quem ajuda a conduzir esse momento de maneira acolhedora, utilizando uma linguagem simples, suave e adequada à idade das crianças, sem esconder a realidade. A proposta do livro parte justamente desse princípio: a criança é capaz de compreender o que está acontecendo dentro do seu próprio universo e de acordo com sua fase de desenvolvimento. O que muda não é a verdade, mas a maneira como a família lida com a perda e apresenta uma avó que ajuda as crianças a compreenderem o que aconteceu. Essa verdade deve ser contada”, explica a autora. Como parte da proposta, o livro também apresenta um ritual de despedida, que pode ser realizado pela família por meio de desenhos, cartas ou outras formas de expressão, permitindo que a criança manifeste seus sentimentos e participe desse processo de maneira simbólica e acolhedora.

“Minha inspiração nasceu da necessidade de que pais e familiares falem a verdade, apesar da idade da criança. A morte é uma consequência natural quanto à própria vida. Quando você diz que alguém morreu, a criança pode sentir tristeza, chorar, fazer perguntas, mas ela compreende a verdade do jeito dela. Já quando se diz que o ‘avô está dormindo’ ou que ‘alguém viajou’ ou simplesmente ‘foi embora’, pode criar uma interpretação equivocada que vai acompanhar essa criança por muito tempo”, defende Ana. Para a escritora, proteger a criança não significa esconder a realidade, mas encontrar a linguagem certa para apresentar aquilo que aconteceu e a literatura pode ser uma importante ferramenta de aproximação entre adultos e crianças diante de temas que continuam sendo difíceis para muitas famílias. “Um livro infantil pode ensinar também o adulto. Ele pode ‘abrir uma porta’ para uma conversa que muitos pais não sabem como começar.”

Além da contação de histórias, o roteiro do passeio conduzido pela guia e pedagoga Samantha Lobo propõe atividades de observação e interação ao longo do percurso. As crianças receberão um kit com revista e lápis para colorir e serão estimuladas a identificar símbolos, esculturas, elementos da arquitetura e da vegetação, além de participar de perguntas e desafios relacionados às descobertas feitas durante a visita. “A proposta é que as crianças possam explorar o espaço com curiosidade, prestando atenção em detalhes que normalmente passam despercebidos. Elas participam, fazem perguntas e descobrem elementos ligados à arte, à arquitetura e à história da cidade. É uma experiência que une aprendizado e diversão”, explica Samantha.

Para a pedagoga da Fundação João Pinheiro (MG) Luiza Matias, doutorando e pesquisadora da Universidade do Estado de Minas Gerais sobre a relação entre crianças e a morte, iniciativas como essa também contribuem para ampliar o acesso das crianças ao patrimônio cultural e fortalecem seu aprendizado sobre a cidade. “As crianças são totalmente capazes de compreender temas como esse. O tabu vem muito mais dos adultos do que delas. A visita guiada é importante porque rompe a ideia de que a criança é incapaz de refletir e produzir conhecimentos sobre esse universo, além de aproximá-la da história, da arte e da cultura presentes no espaço cemiterial. Também é uma forma de reconhecer o direito das crianças de conhecerem a cidade e seu patrimônio.”

Diretor do Crematório e Cemitério da Penitência, Hélio Rulli, explica que ao promover atividades como essa, a administração do Cemitério busca dirimir o tabu sobre a morte: “e nada melhor do que aprender de forma recreativa, numa brincadeira, porém, tratando um assunto sério e de forma respeitosa.”

O Necrotour Infantil será realizado no dia 10 de outubro, às 15h, e é destinado a crianças a partir de 6 anos, que deverão estar acompanhadas de um responsável. As vagas são limitadas e as inscrições devem ser realizadas pelo perfil oficial do projeto Necrotour no Instagram (@necrotourrj). A família que participar do passeio irá ganhar o livro Miguel foi pro céu como brinde.

O Cemitério da Penitência fica localizado na Rua Monsenhor Manuel Gomes, 307, no bairro do Caju.


Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!