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Diante da rápida expansão da Inteligência Artificial e da dispersão provocada pelo uso das redes sociais, o Dia do Professor, celebrado neste 15 de outubro, traz um debate urgente para as escolas brasileiras. Em um cenário onde prender a atenção dos estudantes se tornou um desafio diário, a reflexão vai além das homenagens formais: é preciso substituir o modelo focado na mera transmissão de conteúdos por práticas com metodologias ativas, empatia e cuidado com a saúde mental dos educadores.
Para a professora, palestrante e formadora de educadores Prissilla Mello — criadora da metodologia Pedagogia Magnética —, lidar com o imediatismo das plataformas digitais é um dos grandes desafios da educação atual. Mestra pela PUC-Rio, licenciada pela UERJ e com 22 anos de experiência na sala de aula, ela alerta que o hábito de consumir conteúdos rápidos e descartáveis acostuma os alunos a uma postura passiva. Isso torna mais difícil prender o interesse da turma em atividades que exigem reflexão, escuta e análise crítica.
Ao abordar o uso da Inteligência Artificial nas turmas, Prissilla ressalta que a tecnologia não deve ser vista como vilã, nem como solução mágica. A educadora compara a ferramenta a um frasco que pode conter remédio ou veneno, dependendo de como é usada. Para ela, o professor não precisa ter medo da IA, mas sim utilizá-la para otimizar planejamentos e avaliações, abrindo espaço na aula para dinâmicas que estimulem a criatividade, a oratória e a participação dos alunos.
Fundamentada em princípios da neurociência aplicados ao ensino, a docente defende que a emoção é a verdadeira cola da memória, e que a aprendizagem só acontece quando há vínculo entre quem ensina e quem aprende. Essa visão deu origem ao seu método autoral, focado em criar aulas inclusivas, empáticas e atrativas. A busca por materiais e práticas diferenciadas ganhou ainda mais força a partir da sua vivência como mãe, quando o diagnóstico de TDAH do filho, aos 8 anos, a incentivou a buscar soluções que atendessem estudantes com diferentes ritmos de aprendizagem.
A trajetória de Prissilla reflete a força da educação no Brasil: neta de um cavador de poços analfabeto e de uma avó que estudou apenas até o terceiro ano do ensino fundamental, mas passou a vida inteira lendo e lhe ensinou o amor pelos livros. Com base na sua vivência prática no chão da escola, Prissilla fundou a startup educacional PriGeo e a loja de materiais didáticos Priduca, acumulando mais de 10 mil educadores capacitados, 200 mil inscritos no YouTube e mais de 20 mil kits pedagógicos utilizados no Brasil e no exterior.
Neste 15 de outubro, a educadora reforça que a verdadeira valorização do professor passa pelo combate à violência nas escolas e pelo resgate do respeito à profissão. Segundo Prissilla, ninguém precisa se esgotar para dar boas aulas. Em uma época em que robôs fornecem respostas em segundos, o diferencial insubstituível do professor continua sendo a sua experiência humana e a sua capacidade de acolher, escutar e transformar vidas.