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IDOR Ciência Pioneira anuncia pesquisadores selecionados em seu 1º edital nacional

Jovens cientistas receberão R$ 480 mil cada para desenvolver estudos inovadores, com apoio da Faperj

Por Portal Eu, Rio! em 09/05/2025 às 13:20:59

Pesquisa de doença neurodegenerativa da retina está presente nas pesquisas. Foto: Divulgação

Uso de modelo de “paciente em chip” para investigar doenças neurodegenerativas da retina, nova geração de exames por meio de sensores quânticos e o papel de proteínas cerebrais na resiliência à doença de Alzheimer. A ciência de fronteira, caracterizada pela ousadia e inovação, está presente nestes e em outros projetos científicos selecionados no primeiro edital nacional do IDOR Ciência Pioneira. A iniciativa filantrópica, voltada a impulsionar a ciência disruptiva no país, anunciou nesta quarta-feira (07) o apoio a 15 jovens pesquisadores com estudos promissores nas áreas das ciências da saúde, biomédicas, e nas suas interfaces com as ciências exatas. O valor total de financiamento é de R$ 7,2 milhões.

Cada cientista selecionado receberá R$ 480 mil em três anos para desenvolver seus projetos. Pesquisadores também poderão usar instalações e equipamentos de laboratórios do IDOR e participar de treinamentos, workshops e eventos para desenvolver suas carreiras e a cooperação com outras pesquisas.

A primeira chamada pública nacional do IDOR Ciência Pioneira é um marco histórico para a iniciativa, que pretende investir R$ 500 milhões, ao longo de dez anos, em projetos de ciência de fronteira no Brasil. O apoio ocorrerá por meio de editais e parcerias com instituições de pesquisa reconhecidas em suas áreas.

Ao todo, foram recebidas 198 propostas de jovens pesquisadores (com até dez anos da obtenção do doutorado) e em fase de consolidação da carreira. A chamada conta com o apoio complementar da FAPERJ (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), aos pesquisadores do Rio de Janeiro.

“Ficamos felizes com a resposta que tivemos ao lançamento deste edital da Ciência Pioneira, não apenas pelo número de propostas recebidas, mas principalmente pela qualidade. Com o apoio de um comitê de especialistas internacionais e nacionais, foram selecionadas 15 propostas inovadoras e audaciosas para financiamento. Esperamos que o apoio da Ciência Pioneira permita que estes jovens cientistas possam desenvolver com a máxima liberdade suas pesquisas, avançando as fronteiras de nossa ciência”, afirmou o diretor científico do IDOR Ciência Pioneira, Sergio Ferreira.

Em evento de anúncio dos resultados, realizado na sede do IDOR do Rio de Janeiro, a diretora científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, exaltou o incentivo a pesquisas em ciência de fronteira e a flexibilidade dada pelo edital no uso dos recursos. “É muito importante para o Estado do Rio de Janeiro essa maneira diferente de fazer ciência. De repente nos deparamos com uma ciência executada com grande qualidade e desburocratizada. Precisamos e vamos aprender com a desburocratização do sistema científico. Outro ponto fundamental é apoiar os jovens. A FAPERJ tem o prazer e o dever de apoiar o IDOR Ciência Pioneira”, afirmou.

Entre os selecionados, estão pesquisadores do Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Foram contempladas pesquisas em três grandes áreas que compreendem os eixos de atuação da iniciativa: 1) biologia molecular e celular, 2) física e matemática da biologia e 3) neurociência e cognição.

O pré-requisito mais importante para aprovação de um projeto foi a originalidade e capacidade de transformação dentro de seu campo. Trinta revisores de dez países – Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Canadá, Portugal, Chile, Israel, Reino Unido e Argentina, além do Brasil – participaram do processo seletivo.

A maioria dos selecionados atua como professor em diferentes universidades do país. Mychael Lourenço, professor adjunto do Instituto de Bioquímica Médica, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi aprovado no edital para aprofundar seus estudos sobre as causas da doença de Alzheimer. Sua hipótese é de que a produção controlada de proteínas no cérebro pode promover resiliência sobre doenças neurodegenerativas.
Ouça no Podcast do Eu, Rio! o depoimento do diretor científico do IDOR, Sergio Fereira, sobre o edital Ciência Pioneira.

Cientistas com projetos de pesquisa multidisciplinares também estão entre os selecionados. É o caso da pesquisadora do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Carmem Gilardoni, que alia física quântica aos conceitos de biomedicina em busca de melhorar a precisão e as aplicações clínicas da ressonância magnética.

Além do edital nacional, o IDOR Ciência Pioneira também financia pesquisas por meio de parcerias com universidades e centros de pesquisas de diferentes partes do Brasil e do mundo. Entre as parcerias atuais, estão o Innovative Genomics Institute (EUA), Weizmann Institute of Science (Israel), Usona Institute (EUA), Stanford University (EUA), King’s College London (Inglaterra), Universidade Federal do Rio de Janeiro e Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil).

Confira a lista completa de selecionados:

Ana Paula Povinelli

Professora-assistente do Departamento de Física da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), sua pesquisa analisa sequências "camaleão" – trechos de proteínas que podem adotar diferentes estruturas secundárias – para entender como as interações de rede influenciam o dobramento proteico, combinando métodos experimentais e simulações.

Artur Christian Garcia da Silva

Professor associado do departamento de Bioengenharia Farmacêutica da Universidade Federal de Goiás (UFG). Por meio de uma plataforma “patient-on-a-chip” (modelo que simula órgãos do corpo em um chip), investiga tratamentos e terapias para doenças degenerativas da retina.

Carmem Maia Gilardoni

Pesquisadora do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), estuda o desenvolvimento de sensores quânticos para aprimorar técnicas de diagnóstico médico. Seu trabalho busca revolucionar a precisão e as aplicações clínicas da ressonância magnética por meio da física quântica.

Eduardo Zimmer

Professor assistente da McGill University (Canadá) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) nos programas de pós-graduação em Farmacologia e Bioquímica. Sua pesquisa investiga a origem do Alzheimer a partir de alterações no neurodesenvolvimento, integrando transcriptômica de núcleo único (snRNA-seq) e técnicas avançadas de imunohistoquímica em cérebros humanos pós-morte.

Evandro Araújo de Souza

Professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, estuda os mecanismos de rejuvenescimento celular, na linhagem germinativa, e seu potencial para aplicação em células somáticas, visando terapias antienvelhecimento.

Felipe Campos Ribeiro

Pesquisador de pós-doutorado e professor temporário de Biologia Celular no Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), investiga o potencial terapêutico do transplante autólogo de proteossomas no tratamento da doença de Alzheimer.

Fernanda Matias

Professora associada do Instituto de Física da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Sua pesquisa combina física estatística e neurociência para o desenvolvimento de biomarcadores de complexidade e causalidade em sinais cerebrais, com ênfase na detecção precoce de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.

Fernando Seara

Professor no Instituto de Biofísica da UFRJ, estuda o envelhecimento do sistema cardiovascular e os seus efeitos sobre o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Juliana Rizzo Balancin

Professora adjunta no Centro de Pesquisa em Medicina de Precisão do Instituto de Biofísica da UFRJ, investiga como as vesículas celulares podem ser fontes para o desenvolvimento de novos medicamentos.

Luiz Henrique Marchesi Bozi

Professor no Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP). Investiga como o succinato pode atuar na progressão de alterações estruturais cardíacas.

Mychael Lourenço

Professor adjunto do Instituto de Bioquímica Médica, da UFRJ, estuda como a produção controlada de proteínas no cérebro pode preservar funções neurológicas e promover resiliência sobre doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

Paulo Cezar Rocha dos Santos

Membro vinculado ao Laboratório de Estudos da Postura e da Locomoção (LEPLO) da UNESP. Investiga métodos de neurorreabilitação para doenças neurológicas, desenvolvendo abordagens integradas que estimulam a neuroplasticidade e recuperam a capacidade de locomoção.

Ronaldo Amaral

Professor adjunto no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, onde atua também como coordenador do Programa de Pesquisa em Bioengenharia e Terapias Celulares. Seu projeto de pesquisa investiga como condrócitos respondem a superfícies curvas, revelando mecanismos que influenciam na degradação e na regeneração da cartilagem.

Tiago Januário da Costa

Professor no Departamento de Farmacologia da Universidade de São Paulo (USP), com atuação no Laboratório de Biomecânica Vascular. Investiga em seu projeto como a modulação da O-GlcNAcilação, em células progenitoras endoteliais, pode proteger vasos sanguíneos em condições de estresse, abrindo caminhos para tratar doenças vasculares.

Victor Santos

Professor adjunto do Departamento de Morfologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em seu estudo, busca prova de conceito para entender se os padrões de atividade cerebral, associados a crises epilépticas, podem ser modificados pela neuroplasticidade.

Sobre IDOR Ciência Pioneira

É uma iniciativa independente de apoio à ciência de fronteira do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. Sem fins lucrativos, o projeto vai investir mais de R$ 500 milhões em pesquisas de ponta nos próximos dez anos. Fundada e financiada pela família Moll, controladora do Grupo D’Or, tem como foco o investimento em linhas de estudo promissoras e pouco exploradas na interface entre as ciências biomédicas e de saúde e as ciências exatas.

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