Foto: Divulgação
O ensino superior a distância vive um crescimento expressivo no Brasil. Segundo dados do Semesp, entre 2013 e 2023, o número de cursos EaD cresceu 326%, impulsionado por mudanças tecnológicas, novos perfis de estudantes e os efeitos da pandemia de Covid-19, que aceleraram a digitalização do ensino. Em 2024, o Inep registrou cerca de 5 milhões de matrículas em cursos dessa modalidade.
Essa transformação não ocorre apenas no formato, mas também no conteúdo. Cada vez mais, a Inteligência Artificial (IA) passa a integrar o currículo de instituições que buscam alinhar a formação acadêmica às demandas do mercado de trabalho. A combinação entre ensino a distância e tecnologia de ponta cumpre o papel de criar possibilidades inéditas de aprendizagem — mais flexível, acessível e voltada para o futuro.
Especialistas apontam que o avanço da IA tem sido responsável por remodelar carreiras, especialmente nas áreas de tecnologia, design, marketing e educação. O domínio dessas ferramentas tornou-se um diferencial competitivo para profissionais e um desafio para escolas, que precisam atualizar suas grades curriculares com rapidez.
Nesse cenário, diversas instituições tradicionais têm revisto seus modelos pedagógicos. É o caso da Escola ZION, que possui unidades no Rio de Janeiro. A escola acaba de lançar seus primeiros cursos à distância, incluindo formações em Inteligência Artificial e Efeitos Visuais para Cinema.
“Com o ensino à distância, conseguimos levar nossa metodologia para além das salas de aula, ampliando o acesso à educação de qualidade e formando profissionais preparados para o futuro," conta Douglas Madeira, porta-voz da ZION. A proposta é formar profissionais capazes de operar em ambientes digitais cada vez mais automatizados e interativos, em um momento em que o mercado busca talentos com domínio em IA, realidade aumentada e virtual.
A escola é apenas um exemplo de uma tendência mais ampla: a expansão do uso de plataformas online, metodologias gamificadas e parcerias com empresas de tecnologia para oferecer certificações reconhecidas. A inclusão de disciplinas relacionadas à IA, antes restrita a cursos muito técnicos, agora se estende a formações híbridas e até graduações em áreas como administração, comunicação e design.
Ainda que o ensino a distância continue enfrentando desafios, como evasão e desigualdade de acesso à internet, o avanço da tecnologia e a mudança de perfil dos estudantes brasileiros — mais conectados, multitarefa e atentos às exigências do mercado — reforçam que o modelo veio para ficar.