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Vida em primeiro lugar

Lula exige espaço fiscal para investimento no combate às doenças determinadas por questões sociais

“Não há direito à Saúde sem investimento em saneamento básico, alimentação adequada, educação de qualidade, moradia digna, trabalho e renda”, disse o presidente em reunião do Brics


Líderes do Brics cobraram prioridade para a prevenção e tratamento de doenças neglicenciadas, como a malária e o cólera. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu mais espaço fiscal (gasto público) para que países do Sul Global possam assegurar vida saudável às populações. A declaração foi na abertura do segundo dia da cúpula de líderes dos países do Brics, nesta segunda-feira (7), no Rio de Janeiro.

“Não há direito à saúde sem investimento em saneamento básico, alimentação adequada, educação de qualidade, moradia digna, trabalho e renda”, disse Lula o presidente.

“Implementar o ODS 3 — saúde e bem-estar — requer espaço fiscal”, completou. O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (ODS 3) é uma das metas da Organização das Nações Unidas. Já o espaço fiscal é a capacidade de os governos ampliarem gastos.

Em sua intervenção à frente dos demais líderes do Brics, Lula chamou atenção para as doenças determinadas por questões sociais, que atingem os países do Sul Global - nações em desenvolvimento que partilham problemas sociais.



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“No Brasil e no mundo, a renda, a escolaridade, o gênero, a raça e o local de nascimento determinam quem adoece e quem morre”, declarou. “Muitas das doenças que matam milhares em nossos países, como o mal de Chagas e a cólera, já teriam sido erradicadas se atingissem o Norte Global”, acrescentou.

Lula afirmou que o Brics aposta na ciência e na transferência de tecnologias “para colocar a vida em primeiro lugar” e que é urgente recuperar o protagonismo da Organização Mundial da Saúde (OMS) como foro legítimo para o enfrentamento às pandemias e a defesa da saúde dos povos.
O presidente Lula adiantou que o Brics lançará nesta segunda-feira uma parceria para a eliminação de doenças socialmente determinadas, que se propõem a superar desigualdades com ações voltadas para infraestrutura física e digital.

Ele apontou, ainda, que o Brics já alcançou avanços concretos, como a consolidação da Rede de Pesquisa de Tuberculose, com apoio do Novo Banco de Desenvolvimento (também conhecido como Banco do Brics) e da Organização Mundial da Saúde, assim como a cooperação regulatória em produtos médicos. “Estamos liderando pelo exemplo”, disse o presidente. “Colocando a dignidade humana no centro de nossas decisões”.

Entenda o Brics

O Brics é formado por 11 países-membros: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia. Essas nações representam 39% da economia mundial e 48,5% da população do planeta. Os países que têm status de parceiros são Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã. Os parceiros não têm poder de voto nos debates.

O Brics se identifica como nações do Sul Global e busca mais cooperação entre si e tratamento mais equânime em organismos internacionais.
Os países-membros se alternam ano a ano na presidência. O Brasil será sucedido pela Índia em 2026.

Perguntas e respostas sobre o Brics

Além de mencionar temas como guerras, governança, economia e inteligência artificial, a Declaração do Rio de Janeiro, assinada no domingo (6/7) pelos líderes dos países do Brics, tratou de dois outros assuntos considerados fundamentais: emergência climática e o combate a doenças tropicais negligenciadas.

Um dos pontos-chave apresentados no combate às mudanças climáticas é a transição energética, pelo fim do uso de combustíveis fósseis, como o petróleo. No entanto, o documento reconhece que os "combustíveis fósseis ainda têm papel importante na matriz energética mundial, particularmente para mercados emergentes e economias em desenvolvimento”, como é o caso do Brasil.

Os integrantes do Brics também sinalizaram a intenção de criar o TFFF, sigla em inglês para Fundo Florestas Tropicais para Sempre, em Belém do Pará, durante a COP30, em novembro. Juntos, os países querem “mobilizar financiamento de longo prazo, baseado em resultados para a conservação de florestas tropicais” e buscam encorajar países doadores a anunciarem “contribuições ambiciosas”, para garantir a operacionalização do fundo em tempo hábil.

O assunto saúde foi uma das prioridades da presidência brasileira no Brics. No documento assinado neste domingo (6), os líderes do bloco do chamado Sul Global anunciaram a busca de uma parceria para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas - aquelas mais comuns em regiões mais pobres do mundo. A ideia é buscar união no combate às causas da desigualdade no acesso a tratamentos e pesquisas, como a pobreza e a exclusão social.

A carta ressalta o papel da OMS, Organização Mundial da Saúde, como “autoridade orientadora” e defende o fortalecimento dos mecanismos de financiamento. Onze países são membros permanentes do BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes, Etiópia, Indonésia e Irã.


RadioAgência Nacional e Agência Brasil

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