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O projeto "Na Praça - Ateliê Conversas e Vivências", idealizado por Daniela Mello, é uma iniciativa inovadora que busca transformar a forma como os educadores se relacionam com a educação e a primeira infância. Com mais de 30 anos de experiência no universo da educação infantil, a professora traz para este projeto a essência da filosofia Reggio Emilia, que valoriza a criança e o educador como protagonistas do seu aprendizado, incentivando a curiosidade, imaginação e pesquisa.
O foco principal do "Na Praça Conversas e Vivências" é a formação de professores atelieristas, profissionais que acreditam na importância de a escola ser vivida como um grande ateliê. Trata-se de uma prática que vai além do ambiente tradicional da sala de aula. Esses educadores são incentivados a se tornarem pesquisadores e autores da sua história, promovendo experiências ricas de aprendizado em contextos investigativos e ateliês in natura, ao ar livre. Essa abordagem proporciona às crianças a oportunidade de interagir com a natureza, explorando o mundo de forma multissensorial e criativa. A proposta é promover um cotidiano acolhedor e de beleza, onde as linguagens artísticas e o letramento científico transitam, permitindo que os pequenos reflitam, dialoguem e descubram novas formas de expressão e conexão com o mundo ao seu redor.
“Através dessa vivência, as crianças têm a oportunidade de conhecerem mais sobre si e o mundo, porque não apenas aprendem conteúdos curriculares, mas também desenvolvem habilidades socioemocionais, como empatia, colaboração e respeito por toda forma de vida”, explica Daniela.
A educadora diz que, ao sair do lugar comum, “as crianças são incentivadas a se tornarem observadoras atentas e criadoras ativas”, elementos que contribuem para que o projeto seja uma forma de cultivar um olhar especial e respeitoso da criança para com o ser humano em sua essência, promovendo um aprendizado significativo e transformador.
“O projeto estimula que os pequenos desenvolvam atividades em ambientes abertos, onde têm a oportunidade de vivenciar as ‘100 linguagens’ de maneira dinâmica e envolvente. Essa filosofia não é apenas para escola, mas uma nova forma de se relacionar com a vida porque desperta em nós uma nova ideia do que é ensinar e aprender”, explica.
Dani Mello finaliza dizendo qual foi uma das suas motivações para criar o projeto Conversas e Vivências. “Um dos meus desejos, através desse trabalho, é inspirar uma nova geração de educadores para uma pedagogia da escuta, de adultos que parem e reflitam: por que e para que educamos? Minha expectativa é que esses adultos assumam seu papel de autoridade e sejam mais conscientes da responsabilidade assumida de SER professor. Afinal, o cotidiano que promovemos para as crianças reflete nosso desejo de sociedade. Educadores solidários com seus pequenos alunos sustentam o direito de eles viverem suas infâncias com inteireza e alegria”, conclui.
Origem e evolução do Projeto
O projeto "Na Praça - Conversas e Vivências" começou de maneira informal, com encontros em uma praça no Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca. Com o tempo e a conquista de novos adeptos, o projeto ganhou força e, atualmente, funciona no ateliê de uma escola parceira localizada no mesmo bairro.
A iniciativa fez tanto sucesso que a educadora começou a ser convidada para palestrar em escolas de outros estados e países, tornando o projeto itinerante:
“Recentemente estive no Nordeste ministrando workshops em escolas públicas e privadas. Já no início do ano fui até a Colômbia participar de um congresso, onde tive a oportunidade de divulgar esse trabalho em outro país. É extremamente satisfatório poder divulgar esse projeto transformador tanto para as crianças quanto para os professores. Fui gestora de escolas por muitos anos e venho estudando muito a inovação e a qualidade da educação. Percebi que existe a necessidade de formação continuada dos professores por meio das artes e do letramento científico para que estejam sempre à frente do seu tempo e consigam lidar com as competências do século XXI. A arte, por exemplo, é um espaço de reconectar sentidos, de acionar a potência criativa, entender questões e aprender a escutar a si para poder escutar o outro, como a criança em formação”, finaliza Daniela.