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Justiça aceita denúncia contra Oruam por tentativa de homicídio qualificado

Perícia apontou pedras de grande peso e volume atiradas pelo rapper e amigos contra delegado e oficial de Justiça

Por Portal Eu, Rio! em 01/08/2025 às 07:44:59

Rapper Oruam divulgou em suas redes sociais fotos da chegada para apresentação à Cidade da Polícia. Foto: Instagram Oruam


A Justiça do Rio aceitou a denúncia do Ministério Público fluminense e tornou Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o rapper Oruam, réu por tentativa de homicídio qualificada. Na decisão, a juíza Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal, também inclui um amigo do artista, Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira. As tentativas de homicídio qualificado foram praticadas contra o delegado da Polícia Civil do Rio Moyses Santana Gomes e o oficial Alexandre Alves Ferraz.

De acordo com a denúncia, no último dia 22 de julho, durante uma operação da Polícia Civil na casa de Oruam para cumprir uma ordem judicial de busca e apreensão de um menor que teria praticado atos análogos ao tráfico de drogas e crimes patrimoniais, o rapper e outras sete pessoas arremessaram pedras de grande peso e volume nas vítimas. Os objetos foram lançados do peitoril da primeira janela do andar superior da residência onde os denunciados se encontravam, sendo que uma das pedras pesava 4,85kg – o que, em caso de impacto, poderia ser fatal.

Ainda segundo o MP, os acusados, após assumirem o risco de letalidade da ação, tentaram atrair os policiais através de vídeos em redes sociais com informação de fuga para o Complexo da Penha, área dominada pela facção criminosa Comando Vermelho, com a qual Oruam teria laços familiares, a fim de ter maior garantia de resultado morte dos agentes de segurança.

A decisão ressaltou que “percebe-se que as ações dos acusados, em especial o acusado ‘Oruam’, repercutem de modo tão negativo na sociedade que incitam a população à inversão de valores estabelecida contra as operações feitas por agentes de segurança pública, conforme se depreende pelo início da ação legítima de apreensão do adolescente e também pelas demais repercussões, causando profundo abalo social”.

A prisão preventiva de ambos foi decretada na decisão. “Ressalte-se que o acusado Mauro, com visibilidade em razão de suas apresentações como ‘artista’, é referência para outros jovens e que, como o ora acusado, podem acreditar que a postura audaciosa de atirar pedras e objetos em policiais é a mais adequada e correta, sem quaisquer consequências. A paz pública, portanto, depende de medidas firmes e extremas, como a prisão, a fim de que seja preservada. Finalmente, considerando a possibilidade de fuga ventilada pelo próprio acusado, impõe ser resguardada a garantia da aplicação da lei penal e a instrução criminal, diante da postura desafiadora imprimida pelos denunciados e seus comparsas”.

No dia 21 de julho, quando a polícia foi a casa do MC Oruam para cumprir um mandado de busca e apreensão de um adolescente que estaria em sua casa no bairro Joá, zona oeste do Rio de Janeiro. De acordo com a denúncia do Ministério Público, a tentativa de homicídio ocorreu com o arremesso de pedras a uma altura de 4,5 metros que pesavam de 130 gramas a 4,85 quilos.

A nova denúncia foi apresentada na segunda-feira (28). O funkeiro está preso preventivamente desde o dia 22 de julho, quando decidiu se entregar à Polícia Civil, decisão comunicada aos fãs nas suas redes sociais. Oruam foi acusado de associação ao tráfico de drogas, tráfico de drogas, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal. A acusação inicial entendeu como tentativa de ameaça o rapper dizer que era filho de Marcinho VP, um dos principais líderes da facção criminosa Comando Vermelho.

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Os crimes praticados foram apresentados em duas ações penais ajuizadas por duas promotorias.

A 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da Área Zona Sul e Barra da Tijuca ofereceu denúncia contra Oruam e Willyam Matheus Vianna, na segunda-feira (28), no inquérito referente à tentativa de homicídio.

A Promotoria de Justiça junto à 27ª Vara Criminal da Capital apresentou denúncia, na terça-feira (29), em outro inquérito que trata dos crimes de lesão corporal, tentativa de lesão corporal, resistência com violência, desacato, ameaça e dano ao patrimônio público. Na segunda ação, respondem Oruam, Willyam e outros dois denunciados: Pablo Ricardo de Paula Silva de Morais e Victor Hugo Vieira dos Santos.

Decisão

Na decisão, a juíza Tula Correa de Mello, que tornou réus o rapper Oruam e seu amigo Willyam Matheus Vieira, disse que “percebe-se que as ações dos acusados, em especial Oruam, repercutem de modo negativo na sociedade que incitam a população à inversão de valores estabelecida contra as operações feitas por agentes de segurança pública, conforme se depreende também pelas demais repercussões, causando profundo abalo social”.

A magistrada escreveu ainda, em outro trecho da decisão, que “o acusado Oruam, com visibilidade em razão de suas apresentações como “artista”, é referência para outros jovens e que, como o ora acusado, podem acreditar que a postura audaciosa de atirar pedras e objetos em policiais é a mais adequada e correta, sem quaisquer consequências. A paz pública, portanto, depende de medidas firmes e extremas, como a prisão, a fim de que seja preservada”, concluiu a juíza Tula Correa de Mello.

Como já está com a prisão preventiva decretada, o rapper Oruam foi encaminhado de volta ao presídio Bangu 3, onde está à disposição da justiça, aguardando julgamento.

Responsável por grande número de julgamentos contra facções criminosas no Rio de Janeiro, a juíza Tula Correa de Mello sobreviveu a um ataque de criminosos no dia 30 de março deste ano, graças à blindagem do carro em que trafegava. O marido da juíza, o policial do Core João Pedro Marquini, dirigia o próprio carro, que não era blindado, e morreu no mesmo incidente.

Processo nº 0074240-78.2025.8.19.0001

Fonte: Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e Agência Brasil

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