Preso pela Polícia Civil, Uwe Hahn fugiu para a Alemanha um dia depois de obter um habeas corpus para responder em liberdade ao inquérito pela morte do marido. Foto: Agência Brasil
Uwe chegou a ter prisão preventiva decretada pela 4ª Vara Criminal, depois que polícia relatou que o exame de necropsia atestou lesões no corpo da vítima e que afastavam a tese de mal súbito, como afirmara a defesa. O diplomata fugiu para a Alemanha, um dia após obter um HC impetrado por sua defesa.
A fuga, porém, não impediu a continuação do processo no Tribunal de Justiça do Rio e a abertura de uma investigação pelas autoridades alemãs. Como Walter era cidadão natural da Bélgica, o Ministério Público daquele país também abriu uma investigação e solicitou o compartilhamento de provas com os alemães, que fizeram o requerimento de autorização para a 4ª Vara Criminal, via Ministério Público Federal.
Na decisão, a juíza Lúcia Mothé Glioche destaca que o compartilhamento de provas tem fundamento no princípio da especialidade na cooperação jurídica internacional.
O caso aconteceu há três anos. Uwe e Walter eram casados há 23 anos e, na ocasião da morte, moravam há quatro anos no Rio de Janeiro. Walter tinha passaporte diplomático e acompanhava o marido nos deslocamentos pelos países designados pela diplomacia alemã. Em sua defesa, o cônsul alegou que o marido passou a ter frequentes surtos psicóticos e a beber excessivamente, como teria ocorrido no dia em que morreu. O diplomata contou à polícia que estava na cozinha e, ao voltar para a sala, notou que marido andando de um lado ao outro, até sofrer uma queda e cair inerte no chão. Percebeu uma mancha de sangue na cabeça do marido e não tinha certeza se ele bateu em alguma mobília em sua queda.
Processo: 0215839-10.2022.8.19.0001
Fonte: RadioAgência Nacional