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Cristina Leite, moradora da Barra da Tijuca, vivenciou no último domingo (31) uma situação que expõe as dificuldades no atendimento para o resgate de animais silvestres em área urbana. Ao sair de um supermercado na região, encontrou um gambá acuado em estado aparentemente debilitado, com movimentos lentos, no que suspeitou ser um caso de envenenamento.
O episódio, ocorrido em frente ao supermercado Carrefour, na altura da Avenida das Américas, número 5150, revelou um protocolo de atendimento falho por parte dos órgãos responsáveis. Após solicitar ajuda aos funcionários do supermercado para conseguir uma caixa de papelão para proteger o animal, a moradora foi informada de que os funcionários não poderiam ajudar e que casos similares eram comuns na região. Supostamente, o Ibama já havia sido contactado.
Decidida a reforçar o pedido de socorro, Cristina tentou contato direto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), mas não conseguiu atendimento em nenhum dos três números encontrados na internet. Os telefones, segundo ela observou, funcionavam apenas em horário comercial, de segunda a sexta-feira.
A busca por ajuda se estendeu por diversos órgãos. Cada instituição contactada direcionava para outro serviço - polícia, bombeiros - mas nenhum assumia a responsabilidade pelo resgate. Apenas a prefeitura forneceu uma resposta concreta, porém desalentadora: o prazo para atendimento seria de até 24 horas.
"Quando vocês chegarem aqui, o gambá vai estar morto, porque ele está agonizando agora", foi a resposta da moradora ao ser informada sobre o tempo de espera. A previsão pode ter se confirmado. Na manhã desta segunda-feira (1º), a Patrulha Ambiental da Prefeitura entrou em contato informando que chegaram ao local, mas não encontraram o animal.
O caso não é isolado na região. A mesma moradora relata que, há cerca de quatro anos, os porteiros de seu prédio recolheram filhotes de gambá cuja mãe também teria sido envenenada. Na ocasião, ela assumiu os cuidados dos filhotes, alimentando-os com leite infantil até conseguir levá-los ao Parque Natural Municipal Chico Mendes, onde foram adequadamente acolhidos.
"Aqui na Barra tem muito animal silvestre", afirma a moradora, levantando uma hipótese preocupante: "Eu não sei se as pessoas pensam que gambá é rato e põem veneno".
O relato evidencia uma lacuna crítica no atendimento à fauna urbana do Rio de Janeiro, especialmente em casos emergenciais que demandam resposta rápida. A demora no atendimento e a falta de protocolos claros entre os órgãos competentes podem estar contribuindo para a morte desnecessária de animais silvestres na cidade.
A situação também levanta questões sobre a necessidade de campanhas educativas para a população, que pode estar confundindo gambás com pragas urbanas e utilizando métodos letais inadequados para o controle de animais silvestres protegidos por lei.