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Sargento da PM é preso suspeito de feminicídio em Maricá

Vítima chegou em estado grave ao Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara com um tiro na nuca

Por Portal Eu, Rio! em 17/09/2025 às 16:10:49

Fotos: Reprodução

O segundo-sargento da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Renato Cesar Guimarães Pina, de 42 anos, foi preso em flagrante na última terça-feira (16), suspeito de matar a esposa, Shayene Araújo Alves dos Santos, de 27, em Maricá, Região dos Lagos do estado. A vítima chegou em estado grave ao Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara com um tiro na nuca, levada pelo próprio marido, e morreu após sofrer uma parada cardíaca.

Inicialmente, o militar afirmou que o disparo teria ocorrido de forma acidental, quando a esposa manuseava sua arma a pedido dele. No entanto, a investigação da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí apontou contradições no depoimento e descartou a hipótese de acidente.

O delegado Willians Batista, responsável pelo caso, afirmou que o histórico do casal revelou “um padrão de violência doméstica”.

“Ele tinha o hábito de agredir a vítima, ameaçá-la com arma de fogo e até realizar disparos próximos a ela. Esse histórico culminou nesse crime de feminicídio”, destacou o delegado.

Testemunhas confirmaram que o relacionamento era marcado por conflitos e agressões. Uma vizinha relatou ter ouvido gritos momentos antes do disparo. A família de Shayene entregou imagens de 2024 que mostram o policial apontando uma arma para o rosto da companheira grávida e agredindo-a com um tapa.

O casal tinha um bebê de srte meses e vivia ainda com o filho de nove anos da vítima, fruto de outra relação. Na residência do PM, os agentes apreenderam uma pistola e catorze projéteis. O militar foi transferido para a Unidade Prisional da PM, em Niterói.


A mentira como sintoma da delinquência

O caso chama atenção não apenas pela brutalidade, mas pela tentativa inicial de Renato em sustentar uma versão fantasiosa sobre os fatos. Para o criminalista José Maria da Silva Filho (Dr. Zema), autor da Teoria Tríplice da Delinquência, a mentira em situações de crime é explicada pelo colapso dos três freios que contêm a violência humana: moral, vergonha e medo.

“Sem moral, não há freio ético. Sem vergonha, não há pudor social. Sem medo, não há limite físico”, afirma o jurista.

Zema alerta que o crime raramente surge de forma súbita. “O crime é o último sintoma. O colapso começou antes, quando o sujeito já não distingue o certo, já não teme o olhar do outro e já não se assusta com o que pode acontecer.”

Feminicídio e falência dos freios sociais

A investigação indica que Shayene vivia sob um ciclo de violência psicológica e física, sustentado por ameaças e pelo controle exercido pelo marido. Sob a ótica da Teoria Tríplice da Delinquência, o feminicídio se insere no momento em que o agressor já perdeu os três freios internos: não enxerga moralmente o ato como inadmissível; não teme mais a vergonha da reprovação social, pois a intimidação se impõe sobre a vítima e a comunidade; e não teme a punição legal, acreditando-se protegido por sua posição institucional ou pela ausência de denúncias formais anteriores.

Esse colapso dos freios internos e sociais, segundo Zema, "é a essência do fenômeno delinquencial".

O caso segue em investigação pela Delegacia de Homicídios e também pela 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar, vinculada à Corregedoria da PM.


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