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Outubro Rosa: Brasil reforça política de saúde da mulher

Iniciativas visam reduzir desigualdades e garantir acesso a terapias eficazes na rede pública

Por Portal Eu, Rio! em 16/10/2025 às 21:18:48

Trastuzumabe Entansina (T-DM1). Foto: Divulgação

O tratamento do câncer de mama no Brasil avança com a incorporação do trastuzumabe entansina (T-DM1) ao Sistema Único de Saúde (SUS) e com a ampliação do acesso à mamografia para mulheres a partir dos 40 anos. As medidas, anunciadas pelo Ministério da Saúde, fortalecem a política pública de controle do câncer e ampliam o acesso a terapias eficazes que antes estavam restritas à rede privada.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 73.610 novos casos de câncer de mama por ano até 2025 - o que equivale a 41,89 casos por 100 mil mulheres. A doença é o tipo de câncer mais comum entre mulheres e também a principal causa de morte por neoplasia no público feminino, representando 16,1% dos óbitos oncológicos no país.

O oncologista Daniel Mussi, membro das sociedades brasileira, americana e europeia de oncologia clínica, explica que o novo medicamento representa um avanço decisivo no tratamento do câncer de mama HER2 positivo, um dos tipos mais agressivos da doença.

"O trastuzumabe entansina atua através da conjugação do anticorpo com um quimioterápico na mesma molécula. O anticorpo facilita a entrada na célula e libera a quimioterapia diretamente no alvo. Essa tecnologia aumenta a eficácia do tratamento e reduz efeitos colaterais. Em estudos, o uso dessa medicação reduziu em até 50% a mortalidade e aumentou as chances de cura em pacientes que não responderam à quimioterapia inicial", explica o médico.

A incorporação da droga ao SUS é considerada um passo importante na redução das desigualdades entre o sistema público e o privado, ampliando o acesso a terapias de alta complexidade e fortalecendo a equidade no tratamento do câncer de mama no país.

"A privação desses pacientes desse tratamento pode comprometer suas chances de cura. Estamos, sem dúvida, testemunhando uma nova fase no tratamento do câncer de mama no Brasil, e isso é motivo de grande satisfação", complementa Mussi.

Além do novo medicamento, o Ministério da Saúde passou a recomendar a mamografia a partir dos 40 anos, medida alinhada às diretrizes internacionais de rastreamento precoce. A estimativa é de que cerca de 23% dos casos de câncer de mama no país ocorram nessa faixa etária, com tumores frequentemente mais agressivos e de crescimento rápido.

Segundo a pasta, em 2024 foram realizados 4 milhões de exames de rastreamento mamográfico no SUS, além de 376,7 mil exames diagnósticos. A ampliação da faixa etária permitirá detectar mais casos em estágios iniciais, aumentando as taxas de cura e reduzindo a mortalidade.

Mortalidade por câncer de mama cresce e expõe desigualdades raciais

Um Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (Vol. 56, nº 15, de outubro de 2025) revela que, entre 2010 e 2024, 248 mil mulheres morreram de câncer de mama no Brasil, sendo dois terços em idade considerada prematura (30 a 69 anos). O estudo mostra ainda um aumento mais acentuado entre mulheres pardas e indígenas, cujas taxas praticamente triplicaram no período.

Embora mulheres brancas apresentem as maiores taxas absolutas, o crescimento proporcional da mortalidade entre pardas (43,7%) e indígenas indica disparidades históricas no acesso à saúde, desde o rastreamento preventivo até o diagnóstico e o início do tratamento.

O Ministério da Saúde anunciou medidas complementares, como a expansão do rastreamento organizado, a distribuição do autoteste de HPV DNA e o fortalecimento da atenção primária. As ações se alinham às metas da OMS para 2030, que incluem vacinar 90% das meninas contra HPV até os 15 anos e rastrear 70% das mulheres aos 35 e 45 anos.

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