Os pescadores artesanais de São Gonçalo registraram, na última segunda-feira (20), um novo vazamento de óleo nas águas da Baía de Guanabara, na altura da Ilha do Pontal, em frente ao Estaleiro Cassinu Shipyard, no bairro do Gradim. As imagens foram enviadas pelo Movimento Baía Viva, que encaminhou o material aos órgãos públicos responsáveis — Capitania dos Portos (Marinha do Brasil), IBAMA, ICMBio e Instituto Estadual do Ambiente (INEA) — com um pedido urgente de ação integrada para conter o impacto ambiental e identificar os responsáveis.
Os sucessivos vazamentos de óleo na Baía de Guanabara vêm prejudicando a pesca artesanal, de onde centenas de trabalhadores do mar retiram seu sustento diário. Além das perdas econômicas, os incidentes trazem graves riscos à biodiversidade marinha e agravam a poluição das praias interiores, impróprias para banho desde as décadas de 1980 e 1990.
“Mais uma vez, estamos diante de um crime ecológico que destrói os meios de vida de milhares de famílias pescadoras e ameaça um patrimônio natural e cultural de importância mundial. É inadmissível que a Baía continue sendo tratada como zona de sacrifício ambiental” afirmou Sérgio Ricardo, Movimento Baía Viva.
Proteção ignorada
O movimento reitera a necessidade de ação coordenada entre os órgãos ambientais — federais, estaduais e municipais — e da responsabilização efetiva das empresas ou agentes causadores desses vazamentos.
“Mesmo tendo proteção legal desde 1988 e sendo reconhecida como área de preservação permanente – APP e como área de relevante interesse ecológico, a Baía sofre com o modelo de desenvolvimento altamente predatório, poluente e socialmente injusto. Esse descaso segue trazendo uma série de implicações sobre a vida da população das comunidades tradicionais – os pescadores - que dependem prioritariamente da saúde da Baía de Guanabara para sua segurança alimentar e geração de renda”, afirma Sergio Ricardo.
Histórico de violações
Segundo Sérgio Ricardo, existe uma implicação também à saúde coletiva. Os pescadores trabalham diariamente em ambientes altamente insalubres, porque têm contato direto com rios com óleo, chorume e metais pesados e plásticos.
Sobre a Baía de Guanabara
A história da Baía de Guanabara começou com os povos indígenas que a chamavam de “seio do mar”, até a chegada dos portugueses em 1502, que a confundiram com a foz de um rio e a chamaram de “Rio de Janeiro”. Com o passar do tempo, ela se tornou um importante porto e viu sua diversidade ser explorada até o século XIX. A partir da segunda metade do século XX, a baía passou por um processo de intensa poluição que reverbera até os dias atuais.
A Baía de Guanabara é considerada o berço da biodiversidade no Brasil. Por contar com vários ecossistemas, como águas oceânicas, rios, florestas alagadas e manguezais, nela são encontradas uma variedade de espécies animais, como peixes, botos, tartarugas-marinhas, caranguejos, aves e felinos
Possuindo uma área de aproximadamente 400 quilômetros quadrados. Sua profundidade varia de 50m na entrada do canal de ligação com a plataforma interna, e até 1 metro nas áreas internas, próximas às margens. Na margem oeste, localiza-se a cidade do Rio de Janeiro com seu porto. Na margem leste, fica a cidade de Niterói e na parte norte, localiza-se a Ilha do Governador, onde encontra-se um dos principais terminais petrolíferos do país.
Movimento Baía Viva
Fundada em 1984, o Movimento Baía Viva é uma articulação da sociedade civil que luta pela recuperação socioambiental da Baía de Guanabara e pela justiça ambiental para as comunidades pesqueiras e ribeirinhas.
O movimento atua na educação ambiental, mobilização social, em denúncias, e incidência política, buscando construir um modelo sustentável para o futuro da Baía.