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Representação

PSOL aciona MP contra construção de espigão no Lume

Parlamentares pedem intervenção do MPRJ para barrar projeto que prevê torre de 720 unidades em área histórica do Centro do Rio


Foto: Divulgação

Parlamentares do PSOL protocolarão nesta segunda-feira (27), às 14h, no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, uma representação contra a construção de um prédio espigão com 720 unidades no Buraco do Lume, autorizada pela Prefeitura através do programa Reviver Centro. Um ato público está marcado para acompanhar o protocolo presencial, em frente ao MPRJ, na Avenida Marechal Câmara, 370.

O projeto prevê a construção de unidades residenciais de pequeno porte — entre 25 e 35 metros quadrados — caracterizadas como estúdios. A representação solicita a instauração de inquérito civil para apurar irregularidades na autorização concedida pela Prefeitura. Segundo os parlamentares, há indícios de violação ao Estatuto da Cidade e outras normas de direito urbanístico.

Críticas ao modelo habitacional

Clarice Chacon, advogada e assessora parlamentar do deputado federal Glauber Braga (PSOL), se posicionou contra o projeto. "Todo mundo sabe que essa metragem não é um espaço digno para uma família morar", afirmou. Segundo ela, o objetivo real do empreendimento não seria moradia permanente, mas habitação por temporada.

Clarice destaca ainda outro aspecto do programa: as construtoras que edificarem a torre no Lume recebem permissão para erguer empreendimentos em regiões mais valorizadas da cidade, como Zona Sul e Barra da Tijuca. "As construtoras vão ter uma autorização com o direito de construir em outras áreas da cidade", explicou.

Crime ambiental

A advogada alertou que a autorização para construção implicaria na derrubada de árvores ameaçadas de extinção, como o pau-brasil. "O que significaria um crime ambiental e é vedado", declarou Chacon.

Mudança de uso do espaço público

Um dos pontos centrais da representação questiona a transformação do uso do espaço. "Me parece fundamental apontarmos o uso do espaço, que, de público, se tornaria particular", argumentou Clarice. Segundo ela, após décadas de destinação pública, a área teria se tornado bem de uso comum do povo, sujeita ao regime de inalienabilidade previsto nos artigos 99, I, e 100 do Código Civil, não podendo ter autorização para construção de edifício particular.

Déficit habitacional versus imóveis ociosos

A crítica do PSOL aponta que a cidade possui cerca de 388 mil imóveis ociosos, número que supera em mais do que o dobro do déficit habitacional do Rio. "Dá para resolver o problema da moradia popular", argumentou Chacon, defendendo que o Centro, por já dispor de infraestrutura, seria ideal para garantir habitação de interesse social utilizando os imóveis existentes.

"Ao contrário de garantir habitação de interesse popular para quem realmente precisa, o corretor de imóveis que faz papel de prefeito dessa cidade, na verdade, está querendo mais uma vez privilegiar o setor imobiliário", declarou a advogada, em referência ao prefeito Eduardo Paes.

Patrimônio histórico e ambiental em risco

Gricel Osorio Hor Meyll, membro do Grupo Ação Ecológica (GAE), expressou preocupação com o avanço do mercado imobiliário sobre áreas de valor patrimonial. "Estou muito preocupada com a especulação imobiliária na cidade, que tem levado a muitas situações de desrespeito ao patrimônio ambiental, histórico e cultural", afirmou.

A ambientalista alertou para a perda progressiva das características originais do Rio e da redução de áreas livres. "A cidade vai perdendo sua identidade, sua alma. E também os espaços abertos", destacou Gricel, que traçou um paralelo com metrópoles europeias: "Estamos na contramão de cidades como Barcelona e Berlim, que têm uma estratégia de renaturalização, o que teria tudo a ver com a vocação do Rio de Janeiro".

Espaço de convivência popular

O Buraco do Lume é descrito pelos manifestantes como área histórica de convivência, utilizada tanto para manifestações políticas quanto como espaço de descanso e alimentação para trabalhadores da região. "É um espaço de respiro das barcas da Praça XV até essa área do centro", ressaltou Chacon.

Os parlamentares convocam a população para acompanhar o ato público nesta segunda-feira. A manifestação pretende pressionar pela abertura do inquérito civil e chamar atenção para a preservação do Buraco do Lume como espaço de uso coletivo. A expectativa agora é pela análise do MPRJ sobre a representação.

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