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A Baixada Fluminense vive um momento de brilho raro — e absolutamente merecido. Após a aprovação, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, da criação do Dia do Artista da Baixada Fluminense, celebrado em 24 de outubro em homenagem ao ator, produtor e empreendedor social Fábio Mateus, a região volta aos holofotes com mais uma conquista histórica: o filme “Ouro Azul” acaba de receber oito indicações ao Troféu Zé, no Rio WebFest 2025, o maior e mais inclusivo festival de webséries do mundo.
O evento acontece entre 28 de novembro e 1º de dezembro, na Cidade das Artes Bibi Ferreira, na Barra da Tijuca. Com lançamento previsto para 2026, a produção reafirma a potência cultural, artística e social que pulsa nas periferias fluminenses.
Protagonizado pela atriz iguaçuana Drielle Moura, “Ouro Azul” disputa as premiações de:
Melhor série brasileira
Melhor série de drama
Melhor direção de drama
Melhor atriz de drama
Melhor fotografia
Melhor trilha
Melhor produção
Melhor canção original
“Estou muito feliz com a indicação de melhor atriz de drama”, comemora Drielle. “O festival está aí há 11 anos premiando produções independentes, nacionais e internacionais. É o reconhecimento de um trabalho dedicado e que me traz evidência — mas fortalece também toda uma rede de fazedores de cultura que estão comigo diretamente e indiretamente.”
Falamos de forma sensível sobre esta realidade”, explica Drielle. “A ficção aparece na nossa ação como ativismo, usada para falar de preservação da natureza e sustentabilidade.”
Fã e estudiosa da obra de Ailton Krenak, Drielle utiliza a arte como plataforma educativa, oferecendo palestras e projetos que unem ficção, cinema e reflexão ambiental. Seu objetivo é claro: dialogar com a geração que vive a crise climática e com quem ainda não compreendeu sua dimensão.
Da Baixada para o mundo
Nascida em Austin, Drielle começou sua formação artística em 2015, através da escola Fábrica de Atores Material Artístico (FAMA), fundada em 2001 pelo ator Alexandre Gomes. A instituição se tornou referência na formação de artistas, com viés social e inclusivo.
Graduada pela UNIRIO, Drielle se envolveu com pesquisas sobre cultura popular, dança e performance — algumas inspiradas na história de seu avô, um migrante cearense que construiu sua vida no bairro Carmari, também em Nova Iguaçu. Dessa pesquisa nasceu o TCC que deu origem à série audiovisual Ouro Azul.
Hoje, além de atriz e roteirista, é diretora da Reboco Produções, onde trabalha com apoio da Fenig, das escolas de formação artística e de educadores, ambientalistas e promotores culturais.
Um filme que rompe silêncios
“Ouro Azul” não é apenas entretenimento: é resistência, é gesto político, é poesia visual. Cada indicação no Rio WebFest é um lembrete de que as potências culturais das margens existem, persistem e exigem seu lugar.
A presença do filme no festival amplia vozes, rompe fronteiras e demonstra que histórias contadas a partir da vivência periférica têm força universal — falando de pertencimento, meio ambiente, memória e futuro.
A trajetória de Drielle Moura simboliza uma geração de artistas da Baixada que transformam dor em discurso, cotidiano em poesia, invisibilidade em protagonismo.
Um futuro que já começou
Ao conquistar espaço no maior festival de webséries do planeta, “Ouro Azul” reforça a ideia de que a Baixada Fluminense não é coadjuvante na história do audiovisual brasileiro — é protagonista.
A obra emociona, questiona e reconstrói imaginários. É um convite para enxergar a região com a profundidade que ela merece. E é também uma vitória coletiva da arte, da diversidade, da sustentabilidade, da produção independente e das narrativas que nascem onde muitas vezes o Estado não chega