Foto: Divulgação
A obesidade, antes associada majoritariamente ao excesso de peso, vem sendo cada vez mais compreendida por especialistas como uma doença inflamatória crônica capaz de desorganizar profundamente o sistema hormonal. De acordo com profissionais da área, o processo inflamatório contínuo inibe a produção de hormônios cruciais, criando um ciclo vicioso que sabota a saúde metabólica e mental dos pacientes.
Os efeitos dessa disfunção vão muito além do aumento no acúmulo da gordura corporal e é a responsável por uma série de sintomas que transcendem a balança. O desequilíbrio hormonal pode levar à diminuição da libido e à redução no ganho de massa muscular. A rotina e a qualidade de vida sofrem impacto direto, refletido em sintomas como diminuição da disposição e da energia, prejuízo na qualidade do sono e alterações e instabilidade no humor.
Apesar disso, especialistas alertam que focar apenas na perda de peso pode ser insuficiente para reverter o quadro.
“Muitas vezes, a inflamação instalada pela obesidade prejudica a produção hormonal de tal forma que, mesmo com uma redução significativa de peso, o eixo endócrino não se recupera totalmente”, explica Dr. Flavio Ramos, membro titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED) e diretor da Endocare (nova fase da tradicional Endodiagnostic).
Nesses casos, a melhora clínica tende a ser parcial, levando à fadiga persistente, dificuldade na construção de músculos e baixa libido — fatores que desmotivam o paciente e prejudicam a manutenção do peso perdido.
Terapia combinada para resultados excepcionais
Frente a esse cenário, a solução reside em uma terapia combinada: a integração de estratégias tradicionais de emagrecimento — como métodos restritivos como balão gástrico ou sutura gástrica endoscópica, dieta, exercícios e medicamentos, quando indicados — com modulação ou compensação hormonal específica para cada paciente. A abordagem, segundo especialistas, permite restaurar o equilíbrio do organismo e potencializar os benefícios do tratamento.
Essa abordagem não apenas otimiza a composição corporal – com mais massa magra e menos gordura – como também atua diretamente na recuperação do bem-estar, da disposição, da libido e da estabilidade do humor.
“A compensação hormonal é a chave para "religar" o metabolismo e garantir que os resultados obtidos sejam satisfatórios e duradouros”, conclui o médico especialista.