O comércio do Rio de Janeiro entrou em ritmo de Natal. Impulsionadas pelas compras de fim de ano e pela liberação da segunda parcela do 13º salário, as vendas começam a mostrar recuperação após meses de consumo mais contido. Para pequenos empreendedores, especialmente no setor alimentício, dezembro continua sendo o período mais importante do ano.
Em Curicica, na Zona Oeste, a confeitaria Rafa Guedes Cake, comandada há oito anos pela empreendedora Rafaela Guedes Pereira, 44 anos, já sente a diferença no fluxo de encomendas. A confeiteira afirma que a procura cresce a partir do fim de novembro e dispara na primeira quinzena de dezembro.
“Comparado com novembro, o aumento já é expressivo. E, como muitos clientes deixam para a última hora, a expectativa é ainda maior”, conta.
Rafaela, que durante o ano mantém um faturamento médio entre R$ 32 mil e R$ 35 mil mensais, vê dezembro como o mês do grande salto. “Geralmente faço entre R$ 45 mil e R$ 50 mil no Natal. Este ano, pretendo chegar a R$ 60 mil”, projeta.
Entre os itens mais procurados estão rabanadas, travessas de sobremesas e quiches salgadas, que dominam as festas familiares e as confraternizações corporativas.
Mesmo com o aumento das encomendas, ela observa um comportamento mais cauteloso dos clientes. “Principalmente as empresas. Estão pedindo quantidades menores e produtos mais compactos”, explica.
O planejamento para atender à demanda começa meses antes. “Compro embalagens em agosto, faço testes, lanço produtos e me junto com outras confeiteiras para reduzir custos e frete”, detalha.
Os números do varejo reforçam o otimismo. De acordo com levantamento do Clube de Diretores Lojistas do Rio (CDLRio) e do SindilojasRio, os lojistas cariocas esperam um aumento de 5% nas vendas de Natal em 2025, impulsionado pelo clima festivo e ações promocionais.
Em pesquisa anterior, 51,4% dos empresários do comércio do Rio já previam um volume de vendas maior para o Natal de 2024, mostrando um ambiente de expectativas positivas.
No âmbito estadual, a Fecomércio RJ estima que o varejo fluminense movimente R$ 5,86 bilhões no Natal de 2025, um crescimento de 13,1% em relação ao ano anterior.
Em nível nacional, a CNDL e o SPC Brasil projetam que o período natalino movimente R$ 84,9 bilhões na economia brasileira, com 124,3 milhões de consumidores indo às compras. Os setores que mais puxam o consumo são roupas, calçados, perfumes e itens de alimentação, este último diretamente benéfico para negócios como o de Rafaela.
O pagamento do 13º salário é um dos motores desse movimento. Para Rafaela, o benefício melhora o poder de compra dos clientes e reforça o caixa dos empreendedores. “É quando conseguimos conquistar novos clientes, reforçar o capital de giro e investir em equipamentos. É o nosso 13° também”, afirma.
O advogado tributarista e especialista em finanças Bruno Medeiros Durão, presidente da Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados, destaca que o benefício continua sendo determinante para o comércio fluminense. “O consumidor chega ao fim do ano mais atento ao orçamento, mas o décimo terceiro tem papel fundamental na recuperação das vendas. Parte desse dinheiro entra diretamente no comércio, especialmente em alimentação, presentes e serviços”, explica Durão.
Segundo ele, o novo comportamento do consumidor exige adaptação. “Vemos compras mais racionais, ticket médio menor e busca por porções reduzidas. Para o empreendedor, entender essa dinâmica é essencial para manter competitividade”, afirma.
Especialistas apontam que o crescimento de fim de ano no Rio deve ser moderado, mas consistente. Pequenos negócios do setor alimentício, como o de Rafaela, tendem a registrar resultados acima da média.
De olho na reta final, a confeiteira já reforça estoque, amplia horários e acelera a produção. “O cliente de fim de ano sempre aparece, e a gente precisa estar pronto”, conclui.