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Anvisa autoriza estudos clínicos de medicamento nacional contra lesões na medula espinhal

Fase Um dos ensaios verificará segurança da polilaminina, eficácia do remédio pesquisado na UFRJ será objeto das Fases 2 e 3

Por Portal Eu, Rio! em 06/01/2026 às 08:21:03

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, dividiram anúncio dos testes da polilaminina, esperança contra lesão na medula espinhal. Foto:

A polilaminina, substância desenvolvida em uma pesquisa nacional e apontada como uma terapia promissora para o tratamento de lesões na medula espinhal, já pode ser usada em estudos clínicos. A autorização foi dada nesta segunda-feira (5) pela Anvisa, Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. O patrocinador do estudo clínico é a empresa Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos.

Pessoas que tiveram lesões medulares e perderam movimentos do corpo têm agora uma nova esperança de recuperação. A polilaminina é baseada em uma proteína natural, a laminina, que atua no sistema nervoso estimulando os axônios, prolongamentos dos neurônios que auxiliam nos movimentos do corpo.

A laminina é extraída da placenta humana e será administrada em uma dose única, diretamente na área lesionada. Experimentos mostram que pacientes lesionados que receberam o medicamento recuperaram os movimentos, total ou parcialmente.

Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem da Rádio Nacional sobre a autorização pela Anvisa dos estudos clínicos sobre a polilaminina, esperança no tratamento de lesões na medula espinhal, causadoras de paralisia muscular.

Em entrevista à TV Brasil, a pesquisadora responsável pelo estudo que desenvolveu a substância, Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explica que a eficácia da laminina está relacionada à rapidez com que ela é utilizada após a lesão:

"A situação ideal é que seja o mais rápido possível, tanto para a polilaminina quanto para a própria cirurgia. Quase todos os pacientes que sofrem lesão medular precisam de uma cirurgia para fazer uma descompressão. Porque o que acontece é que a medula fica dentro do canal vertebral, que é um tecido ósseo que não relaxa. Quando tem uma lesão, ali tem um edema, um inchaço, e aí o tecido continua, a medula fica sendo comprimida contra o osso. Quase sempre tem que fazer uma descompressão."

Cinco pacientes

O estudo de fase um envolverá cinco pacientes, com idades entre 18 e 72 anos, que sofreram lesões completas da medula espinhal torácica há menos de 72 horas e têm indicação cirúrgica. O objetivo inicial é verificar a segurança do produto, e não a eficácia do medicamento. Se os resultados forem positivos, o estudo poderá avançar para as fases dois e três, que buscam comprovar a eficácia da polilaminina no tratamento de lesões na medula espinhal.

A substância ainda não tem seu mecanismo de ação totalmente esclarecido, mas é considerada promissora para o tratamento de traumas na medula espinhal.

A polilaminina é um dos temas estratégicos do Comitê de Inovação da Anvisa, criado em 2025 para monitorar e apoiar a avaliação regulatória de produtos e tecnologias inovadoras.

Por Portal Eu, Rio!

Fonte: RadioAgência Nacional

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