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CPMI do INSS vota quebra de sigilo bancário e fiscal de investigados do Banco Master

Em depoimento adiado, Daniel Vorcaro terá que explicar 250 mil consignados sem autorização dos aposentados


Presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana, informou que os descontos indevidos nas folhas de pagamento chegaram a cerca de R$ 6,8 bilhões nos últimos cinco anos, R$ 500 milhões acima da projeção inicia

A CPI Mista do INSS vota nesta quinta-feira (5) mais de 70 requerimentos. Entre eles, o que pede a quebra do sigilo bancário e fiscal do Banco Master. Os senadores querem saber das contas, investimentos e bens relacionados ao Master. Alegam que mais de 250 mil contratos de consignados foram concedidos de forma irregular, sem autorização do aposentado.



Aliás, o Daniel Vorcaro, dono do Master, iria hoje, quinta-feira, 5/2, à CPI. O depoimento foi reagendado para depois do carnaval, com o compromisso dele ser perguntado somente sobre essa questão dos empréstimos, e não sobre as outras investigações relativas ao Banco, como a compra dele pelo BRB, relações com empresários e políticos.

Um outro requerimento pede a lista de passageiros e o histórico dos voos de aviões ligados à empresas de Vorcaro.

São 78 requerimentos. Além desses ligados ao Master, tem pedidos de prisão preventiva do ex-ministro do Trabalho, José Carlos Oliveira, que foi ministro no governo anterior. Ele é investigado na Operação Sem Desconto, aquela dos descontos irregulares. E pedidos de prisão de outras pessoas ligadas a associações também investigadas.

Presidente do INSS responderá sobre suspensão e ressarcimento por empréstimos indevidos

Passada essa fase deliberativa, a Comissão vai se reunir para ouvir o atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. Será perguntado sobre as ações que tem tomado com relação aos empréstimos. O que foi suspenso, medidas tomadas e ressarcimento.

A fase de 2026 da CPMI do INSS terá como foco principal o estabelecimento de regras e definições claras para proteção dos aposentados e pensionistas, segundo o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Ao abrir a primeira reunião do ano, nesta quinta-feira (5), o parlamentar declarou ainda que as próximas etapas do trabalho seguirão para a responsabilização de criminosos.

Ouça no Podcast do Eu, Rio! a reportagem de Priscila Mazenotti, da Rádio Nacional, sobre a agenda de hoje da CPMI do INSS.

Viana disse que relatórios aos quais teve acesso nos últimos dias mostram que, dos R$ 210 bilhões movimentados por bancos e financeiras, boa parte sem o conhecimento de aposentados e pensionistas, os descontos indevidos nas folhas de pagamento chegaram a cerca de R$ 6,8 bilhões nos últimos cinco anos. Inicialmente, a investigação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União havia identificado um valor de R$ 6,3 bilhões em fraudes.

O senador afirmou ainda que o consignado é um direito dos pensionistas, desde que eles não sejam enganados ao aderir a essa modalidade de crédito.

— Teremos de agir contra a ciranda financeira implantada pelo sistema financeiro, pelos bancos e [instituições] financeiras em cima dos nossos pensionistas. Depois que começamos a chamar atenção para este assunto no ano passado, mérito desta comissão, o próprio INSS como autarquia começou a desenvolver uma série de atividades de fiscalização e auditorias que suspenderam uma dezena de bancos que enganavam os aposentados.

Ao destacar avanços alcançados pela CPMI em 2025, Viana disse que o trabalho desempenhado pela comissão “honrou o país e recebeu a aprovação dos brasileiros”.

— Apesar de todas as divergências, conseguimos em 2025 devolver tranquilidade à parcela mais vulnerável do nosso país, que são os aposentados e pensionistas da nossa Previdência Social. Hoje eles podem dormir com a certeza de que ninguém vai descontar dinheiro da pequena aposentadoria que eles recebem, sem sua aprovação.

Saúde

Carlos Viana disse ainda que está com a saúde totalmente restabelecida. Ele explicou que decidiu continuar à frente da CPMI, mesmo após ter recebido recomendação médica para se licenciar no ano passado. Em dezembro, o senador passou por uma cirurgia para retirada de um tumor cancerígeno no estômago. Mas o procedimento foi bem-sucedido e, o tratamento, concluído com êxito.

— Decidi permanecer até a última sessão, não por teimosia, mas por convicção. Abandonar esta cadeira seria virar as costas para os aposentados, órfãos e viúvas que depositaram nesta comissão a última esperança de justiça e dignidade.

Fonte: Agência Senado


Agência Senado, RadioAgência Nacional e TV Senado

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