As fantasias se destacaram pelo colorido vibrante e pelo tratamento nostálgico, quase pictórico, dos figurinos, com estampas e recortes que remetiam diretamente às obras do homenageado. Houve bom equilíbrio entre leveza e acabamento, ainda que, em alguns momentos, o excesso de elementos tenha dificultado a leitura à distância. No conjunto, porém, reforçaram a ideia de um samba nascido da arte popular e da vivência comunitária.
As alegorias ampliaram esse conceito ao funcionarem como telas tridimensionais. Grandes estruturas reproduziam cenas de rodas de samba, festas suburbanas e personagens característicos do universo retratado por Heitor, com volumetrias recortadas e cores chapadas que evocavam sua linguagem estética. A cenografia privilegiou a organicidade e a sensação de movimento, como se as figuras saltassem da pintura para o espaço real. Em alguns carros, a riqueza de detalhes competiu pela atenção, mas a proposta plástica permaneceu coerente, consolidando a leitura de um desfile que transformou pintura em Carnaval, com identidade e unidade visual.
A Vila encheu corações de saudade de um tempo que não existe mais e transformou a avenida em um misto de carnaval e macumba, na medida certa. Com o melhor samba da safra de 2026, era esperado um êxtase total da plateia; o público cantou e, nitidamente, gostou — mas não enlouqueceu. Teria sido o peso da grande expectativa criada no pré-carnaval? Difícil afirmar.






