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"Chiquinha Gonzaga e seu legado” em Friburgo, São João e Centro do Rio

Espetáculo tem interpretação de Raquel Paixão, direção cênica de Elisa Lucinda e direção musical de Maria Teresa Madeira

Por Portal Eu, Rio! em 24/02/2026 às 12:42:48

Fotos: Divulgação

Após passar por Teresópolis, Duque de Caxias, Volta Redonda, Rio de Janeiro e Barra Mansa o espetáculo musical inspirado na trajetória de uma das figuras mais significativas da música brasileira, o recital cênico “Chiquinha Gonzaga e seu legado”, realiza circulação em espaços populares de mais três cidades do Rio de Janeiro. Com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro (Secec/RJ), a montagem passa por Nova Friburgo, São João de Meriti e Rio de Janeiro e é uma celebração à trajetória revolucionária da musicista que lançou a primeira marchinha de Carnaval no Brasil.

O espetáculo conta com interpretação de Raquel Paixão, direção cênica de Elisa Lucinda e direção musical de Maria Teresa Madeira, a obra apresenta um repertório exclusivamente composto por Chiquinha Gonzaga, em um diálogo sensível entre música e teatro. Raquel Paixão interpreta a personagem, revelando curiosidades e momentos decisivos da sua caminhada feminista e abolicionista.

Ao longo do recital, o público é convidado a revisitar a história de Chiquinha, não apenas como uma artista de vanguarda, mas também como uma mulher negra em um Brasil marcado por desafios sociais e raciais. A pianista compartilha suas próprias vivências como mulher e artista negra, refletindo sobre a importância de dar visibilidade a essas narrativas no contexto da música clássica.

“A música de Chiquinha Gonzaga sempre esteve presente em minha vida. Tenho formação em música clássica, com bacharelado, mestrado e especialização em piano. Nesse ambiente, sempre tive na memória músicas como Corta-Jaca, Plangente, Lua Branca, além da marchinha de carnaval Ô Abre Alas, que faz parte do nosso universo cultural”, compartilha Raquel Paixão.

A diretora cênica e multiartista, Elisa Lucinda, reforça que o objetivo do recital cênico é o de promover o acesso à obra e biografia da compositora, explorando seu repertório musical e o conectando às diferentes fases de sua vida. Além disso, também investiga o contexto social carioca em que a compositora esteve inserida, através de análise das obras de teatro e música onde a maestra esteve presente como autora e colaboradora.

“O Brasil não tem produzido no seu imaginário a imagem da Chiquinha Gonzaga negra e o recorte que ela foi uma feminista, uma revolucionária, filha de uma mulher negra, teve que casar escondida com seu pai porque ele era burguês e ela negra. Essas questões que nunca foram problematizadas nas produções que ela não foi representada como negra”, pontua Elisa.

“Todas as mulheres são herdeiras dos caminhos que a Chiquinha Gonzaga abriu, por isso, vamos fazer um recital cênico que vai realizar o papel que eu gosto que a arte faça: divirta, reflita e ensine arte e educação”, completa a diretora.

Maria Teresa Madeira, diretora musical, elogia Raquel Paixão, expressando o trabalho de excelência exercido pela pianista, pesquisadora e como professora, difundindo a música brasileira. “Esse projeto traz a figura de Francisca Edwiges Neves de Gonzaga, mais uma vez, como protagonista. Essa maestra, compositora, pianista, arranjadora e uma pessoa muito influente na nossa vida musical brasileira, que trouxe à tona problemas sociais, que até hoje nos são muito caros”, afirma.

“Então, muitos vivas a esse trabalho incrível, que eu tenho muita alegria de poder colaborar e que tenho certeza que vai trazer uma luz mais brilhante ainda sobre a vida dessa figura tão impressionante e tão marcante que é nossa Chiquinha Gonzaga”, conclui a diretora musical.

Raquel Paixão revela ainda que sempre soube que Chiquinha Gonzaga foi a primeira musicista profissional do Brasil, em um tempo em que o estudo do piano para mulheres limitava-se às habilidades domésticas, voltadas para a recreação familiar. No entanto, que Chiquinha Gonzaga, assim como ela, tinha uma mãe negra, foi uma descoberta tardia.

“Como pianista negra, sempre me senti isolada no universo da música clássica, pois havia poucas mulheres negras nas quais eu pudesse me espelhar. Quando descobri a negritude de Chiquinha Gonzaga, isso despertou em mim um forte sentimento de pertencimento. Meu desejo é que, com este espetáculo, eu consiga inspirar novas gerações de pianistas, utilizando a música e a figura de Chiquinha como referência”, celebra a artista.


Sobre Chiquinha Gonzaga

Francisca Edwiges Neves Gonzaga foi pianista, maestra e compositora, uma das mais admiráveis artistas brasileiras, pioneira em assumir a música como profissão, num tempo onde mulheres eram restringidas ao trabalho doméstico. Também foi ativa nas causas da abolição e, segundo registro em suas biografias, a própria maestra comprou alforria de pessoas escravizadas com dinheiro que arrecadava da venda das partituras de suas composições.

Teve formação clássica em piano, mas em suas composições já integrava a corporeidade das celebrações populares: observam-se as células rítmicas do Maxixe, Umbigada e Lundus em suas composições, além de forte influência do Choro, gênero musical que nasceu na boemia carioca e cuja criação teve direta participação da maestra. Enriqueceu o patrimônio musical brasileiro em larga escala deixando diversas obras para piano, bandas e trilhas para teatro.

Sobre a Artista

Raquel Paixão é pianista, atriz e professora com uma carreira que reflete seu compromisso com a música brasileira. Desde a infância, sua relação com o piano é marcada pela excelência. Aos 17 anos, conquistou o 1º lugar no Concurso Jovens Instrumentistas (Campos dos Goytacazes - RJ). Em 2019 e 2020, realizou recitais no Brasil e no exterior, dedicados ao repertório brasileiro para piano solo. Recentemente, recebeu o prêmio Urso de Prata, em Berlim, pelo curta "Manhã de Domingo", no qual interpretou uma pianista.

Sua formação acadêmica inclui Bacharelado em Piano, Mestrado em Música e especialização em Pedagogia do Piano. Como educadora, destaca-se pela publicação da coletânea "Teclas Brasileiras", uma contribuição ao repertório didático para pianistas em formação e à valorização de compositoras nacionais.

SERVIÇO

Espetáculo Chiquinha Gonzaga e seu legado

28 de fevereiro, às 19h30

Usina Cultural Energisa

Praça Presidente Getúlio Vargas 55, Centro, Nova Friburgo

09 de março, às 16 horas

R. Panamense, 23-76 - Jardim Meriti, São João de Meriti - RJ

11 de março, às 15 horas

Firjan Sesi Centro - Av. Graça Aranha, 1 - Centro, Rio de Janeiro

Entrada gratuita

Para mais informações, acesse o perfil da artista Raquel Paixão

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