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Rodrigo Crespo, assassinado ao deixar escritório no Centro, planejava trabalhar com bets

No primeiro dia do julgamento, delegado detalhou investigações sobre execução do advogado, mas admitiu que não se chegou à autoria intelectual do crime

Por Portal Eu, Rio! em 06/03/2026 às 08:23:51

Acusados de envolvimento no assassinato do advogado Rodrigo Crespo compareceram ao julgamento, aberto ontem. Foto; Bruno Dantas/TJRJ

Começou na quinta-feira, dia 5 de março, por volta de 11h, no III Tribunal do Júri da Capital, o julgamento de Leandro Machado da Silva (“Cara de Pedra e “Machado”), Cezar Daniel Môndego de Souza (“Russo”) e Eduardo Sobreira de Moraes, acusados de homicídio qualificado contra o advogado Rodrigo Marinho Crespo. A vítima foi assassinada a tiros quando saía do seu escritório, no Centro do Rio, em 26 de fevereiro de 2024. O juiz Cariel Bezerra Patriota está presidindo a sessão.

Primeira testemunha a ser ouvida, Isadora Strapazzon, que vivia em união estável com a vítima havia cerca de quatro anos, afirmou que Rodrigo pretendia sair do escritório em que trabalhava por insatisfação com o sócio, Antônio Vanderler de Lima Júnior, mas destacou que não sabia de detalhes. Disse que a vítima pretendia trabalhar com legalização de bets, que tinha a intenção de se mudar para São Paulo, onde acreditava haver mais oportunidades de trabalho. A testemunha foi ouvida durante cerca de quinze minutos por videoconferência.

O delegado que presidiu o inquérito do caso, Rômulo Assis Coelho Caldas, disse que era responsável pela apuração dos homicídios ocorridos nas regiões do Centro e da Zona Sul e destacou a grande repercussão do caso na mídia. Contou ter percebido logo em um primeiro momento que se tratava de um caso de execução pela dinâmica do crime. Afirmou ter conseguido, pelas imagens das câmeras próximas, identificar dois veículos envolvidos no assassinato e, por meio deles, chegou à locadora de veículos onde foram alugados e que a empresa já locava carros para uma organização criminosa sediada em Caxias, na Baixada Fluminense, da qual posteriormente se comprovou que os três réus faziam parte.

O delegado também compartilhou que as investigações apontaram que Rodrigo vinha sendo monitorado. Com a análise de documentos apreendidos na empresa e demais informações apuradas, foi possível chegar aos nomes de Eduardo Sobreira e Leandro Machado, que alugavam veículos do local. O delegado também afirmou que, durante as investigações, surgiram informações sobre possíveis conexões do caso com integrantes da contravenção no estado. Ainda segundo o delegado, um áudio apresentado durante as investigações também ajudou a esclarecer a participação de Cezar Daniel Môndego de Souza. O material indicaria que, dois dias antes do crime, Môndego esteve com um dos investigados, informação que posteriormente auxiliou na confirmação de seu envolvimento no caso.

Questionado sobre a motivação do crime, o delegado disse que nada encontrado no celular da vítima indicava que Rodrigo Crespo estivesse sofrendo ameaças ou temesse pela própria vida. Segundo ele, o advogado aparentava estar bem no plano pessoal e profissional, embora demonstrasse insatisfação com o escritório em que trabalhava. A principal linha investigativa, de acordo com o delegado, passou a considerar o interesse de Crespo em investir em negócios ligados ao setor de apostas. Segundo ele, o advogado estudava a regulamentação das chamadas “bets” e teria manifestado interesse em abrir um estabelecimento conhecido como “Sporting Bar”, um espaço onde clientes poderiam assistir a eventos esportivos e realizar apostas, além de utilizar máquinas eletrônicas semelhantes a caça-níqueis conectadas à internet. De acordo com as investigações, Crespo chegou a discutir a possibilidade de instalar esse tipo de negócio na região de Botafogo, na Zona Sul do Rio. Por fim, o delegado ressaltou que as investigações sobre a autoria intelectual do crime continuam em andamento.

Em seguida, foi ouvida Raylinne Flavia de Paula Nicodemo, funcionária da locadora Horizonte 16, onde, de acordo com as investigações, foram alugados os veículos utilizados no monitoramento da vítima. Ela disse que os carros foram alugados presencialmente pelo aposentado João Bosco de Oliveira.

O sobrinho de Rodrigo Crespo, Pedro Henrique Crespo, estava com o tio no momento da execução. Ele conta que trabalhava com a vítima desde 2015 e que, no dia da morte, saíram do escritório para fazer um lanche na rua por volta de 17h15. “Foi tudo muito rápido. Parou um carro branco e, de repente, ouvi disparos. Agachei e só me levantei quando os barulhos cessaram. Um tiro passou raspando em meu ombro”.

Pedro também disse que o tio, que era advogado cível, trabalhista e empresarial, pretendia se tornar especialista na área de regulamentação de jogos de apostas online. No entanto, o sobrinho afirmou desconhecer se Rodrigo Crespo pretendia investir no negócio.

Fonte: Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro

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