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Segundo estimativas de organizações internacionais de saúde, cerca de 850 milhões de pessoas no mundo convivem com algum grau de doença renal. No Brasil, dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia indicam que aproximadamente 20 milhões de pessoas apresentam algum tipo de problema renal.
O principal desafio é que a doença costuma evoluir sem sintomas perceptíveis por muitos anos.
De acordo com o nefrologista Jadilson Pereira Júnior, do Hospital São Lucas Copacabana (Rede Américas), isso faz com que muitos pacientes descubram o problema apenas quando a função renal já está comprometida.
“A doença avança sem sintomas por anos. Até que, em estágios mais avançados, começam a surgir sinais de alerta como inchaço, urina espumosa, presença de sangue na urina, cansaço extremo e pressão arterial descontrolada”, explica o médico.

Algumas condições aumentam significativamente a chance de desenvolver doença renal ao longo da vida. Entre os principais fatores de risco estão diabetes, hipertensão, obesidade, histórico familiar da doença e uso abusivo de anti-inflamatórios.
Por isso, pessoas que convivem com essas condições devem manter acompanhamento médico e realizar exames periódicos para monitorar a função dos rins.
A ingestão adequada de água também desempenha um papel importante na saúde renal. A hidratação contribui para o funcionamento adequado dos rins e ajuda na eliminação de substâncias que o organismo não precisa.
Segundo o especialista, existe uma forma simples de estimar a quantidade ideal de água para cada pessoa.
“Utilizamos uma conta simples de aproximadamente 30 mililitros de água por quilo de peso corporal ao longo de 24 horas para garantir uma hidratação adequada”, afirma.
O médico ressalta, porém, que a ingestão de líquidos deve sempre respeitar as orientações médicas, especialmente em pacientes com algumas condições de saúde.
“Em alguns casos, o excesso de água pode prejudicar, como em pacientes com doença renal avançada ou insuficiência cardíaca. Por isso, é importante seguir sempre a orientação médica”, destaca.
Mudanças simples no estilo de vida também podem contribuir para preservar a saúde dos rins. Entre as principais recomendações estão manter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo de sal e açúcar, praticar atividade física regularmente e evitar o tabagismo.
Além disso, controlar condições como pressão alta, diabetes e excesso de peso também é fundamental.
“Hábitos de vida saudáveis fazem diferença. É importante reduzir sal e açúcar na alimentação, praticar atividade física, não fumar, controlar peso, pressão e diabetes, manter uma boa hidratação e evitar o uso de medicamentos sem orientação médica”, orienta o nefrologista.
Outro ponto fundamental para prevenir complicações é a realização de exames de rotina. Testes simples já são capazes de indicar alterações na função renal.
Entre os principais exames estão a dosagem de creatinina no sangue, o exame de urina tipo EAS e a avaliação de albuminúria, que mede a presença de proteínas na urina.
Detectar a doença precocemente pode fazer grande diferença no tratamento.
“Atualmente, alguns medicamentos têm desempenhado um papel importantíssimo no tratamento conservador da doença renal crônica. Quando diagnosticamos precocemente e iniciamos as terapias disponíveis, conseguimos evitar ou adiar a necessidade de diálise”, explica o médico.
A principal mensagem da campanha deste ano é incentivar a população a cuidar da saúde renal antes que os sintomas apareçam.
“Não espere pelos sintomas. Faça exames simples como o exame de urina e a creatinina no sangue. Qualquer médico está apto a identificar alterações e encaminhar o paciente ao nefrologista”, afirma.
O especialista reforça o alerta final: “Cuide dos seus rins”.