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IMPRJ denuncia 'Zé Carioca' como desenvolvedor das armas de fogo em impressoras 3D

Designer Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz tentou manter-se anônimo fora do ambiente virtual, mas investigações apontaram fabricação e venda de armamento

Por Portal Eu, Rio! em 12/03/2026 às 15:19:55

O Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CyberGAECO/MPRJ) denunciou e obteve mandados de prisão contra cinco integrantes de uma organização criminosa responsável pelo desenvolvimento, produção e comercialização de peças e acessórios de armas de fogo feitas em impressoras 3D. Os denunciados responderão na Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo.

Nesta quinta-feira (12/03), foi deflagrada a operação Shadowgun para o cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão no Rio de Janeiro e nos estados do Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará e Paraíba, com o auxílio dos GAECOs locais. A ação conta com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e da Polícia Civil do Rio. As forças de segurança dos estados de Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Bahia, e Roraima apoiam o cumprimento de mandados locais, também obtidos pelo MPRJ.

A investigação aprofundou-se no crescente fenômeno da fabricação caseira e da comercialização de armas de fogo produzidas a partir de peças plásticas confeccionadas por impressoras 3D. No contexto dessa subcultura global, foi identificado o desenvolvedor de um dos projetos mais populares utilizados mundialmente nesse movimento de armas 3D: o denunciado Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido na internet como Zé Carioca. Como ferramenta de marketing, ele utilizava o slogan: “Testado nos EUA, projetado no Brasil e feito na sua casa”.

Apesar dos esforços de Zé Carioca para manter-se anônimo fora do ambiente virtual, a investigação revelou não apenas sua verdadeira identidade, mas também o esquema ilegal que ele liderava, voltado à produção e à venda, pela internet, de peças e acessórios de armas de fogo. De acordo com a denúncia, além da divulgação de arquivos digitais para impressão foi constatada a comercialização sistemática de peças e acessórios por ele produzidos e desenvolvidos em conjunto com a organização criminosa.

Armamentos vendidos a criminosos

A denúncia do MPRJ descreve que somente em uma plataforma virtual de vendas foram identificados 79 registros de vendas realizadas por Lucas Alexandre, a maior parte para o Rio de Janeiro. A gravidade e a complexidade da questão tornam-se ainda mais evidentes ao se constatar que parte dos itens foi vendida a criminosos: a análise do histórico de vendas identificou, entre os compradores, um homem acusado de dois homicídios, além de outros com envolvimento em milícia e tráfico de drogas.

Outro denunciado com papel de destaque no esquema é Gianluca Bianchi. Além de atuar como coprodutor, a denúncia aponta que o pai de Gianluca possui empresa especializada em ferragens com vínculos com o grupo criminoso, indicando que estaria sendo usada para o desenvolvimento das partes metálicas necessárias para o funcionamento do armamento 3D. Os demais integrantes da organização exerciam funções específicas relacionadas ao desenvolvimento e à divulgação do projeto.

Sobre a investigação

A apuração do CyberGAECO/MPRJ teve início a partir de relatório técnico do Ciberlab, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e contou com a colaboração da Homeland Security Investigations (HSI), agência federal de investigação criminal dos Estados Unidos, e da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Os crimes foram praticados por meio da internet, sem configuração de transnacionalidade, já que as vendas ocorreram entre particulares e dentro do território nacional. A competência foi fixada no Rio de Janeiro, estado com o maior número de compradores identificados.

Por fim, o MPRJ ressalta que, segundo a legislação brasileira, a fabricação de armas de fogo, ainda que realizada no âmbito residencial, é equiparada à atividade comercial, sujeitando os infratores às mesmas penas previstas em lei.

Lucas Flaneto, o Zé Carioca, é engenheiro e usava um nome falso para publicar testes e orientações para montagens das armas.O denunciado criou um manual com mais de 100 páginas. Com base nas instruções, qualquer pessoa com conhecimento em impressão 3D poderia fabricar em poucas semanas armas não rastreáveis, usando matérias-primas materiais de fácil acesso e baixo custo, de acordo com a polícia.

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