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Sensação de areia nos olhos, ardência, irritação, vermelhidão, visão flutuante ou embaçada e sensibilidade à luz são sintomas cada vez mais frequentes nos consultórios oftalmológicos. A síndrome do olho seco, condição multifatorial que afeta a qualidade e a quantidade da lágrima, tem se tornado mais comum com o aumento do tempo de exposição a dispositivos eletrônicos, ar-condicionado e mudanças ambientais. A doença atinge mais as mulheres, sobretudo na menopausa, devido a alterações hormonais que impactam diretamente a produção de lágrimas.
A boa notícia é que os avanços tecnológicos vêm ampliando as opções de diagnóstico e tratamento, proporcionando abordagens mais personalizadas e eficazes. Segundo a oftalmologista Lara Murad, que atua na zona sul do Rio de Janeiro, o manejo do olho seco evoluiu significativamente nos últimos anos. “Hoje entendemos que o olho seco não é uma condição única. Existem diferentes causas (inflamatórias, evaporativas, hormonais, entre outras) e cada paciente precisa de uma estratégia específica”, explicou.
Uma das principais mudanças dentro do tratamento está na forma de avaliar a condição. Equipamentos modernos permitem analisar a qualidade do “filme lacrimal”, medir o tempo de ruptura da lágrima e examinar detalhadamente as glândulas responsáveis pela camada lipídica, fundamental para evitar evaporação excessiva. “Com exames mais detalhados, conseguimos identificar a origem do problema e direcionar o tratamento de maneira muito mais assertiva”, destacou Lara Murad.
Novas tecnologias e acompanhamento médico
Entre as tecnologias mais utilizadas atualmente está a Luz Intensa Pulsada (IPL), que atua principalmente nos casos de disfunção das glândulas de Meibômio, uma das principais causas de olho seco evaporativo.
O procedimento ajuda a reduzir a inflamação, melhorar a qualidade da secreção lipídica e estabilizar o filme lacrimal. “A IPL não substitui todos os tratamentos, mas em pacientes selecionados ela pode trazer melhora significativa dos sintomas e reduzir a dependência de colírios”, afirmou a oftalmologista.
Além das tecnologias utilizadas em consultório, colírios com formulações mais avançadas, incluindo agentes anti-inflamatórios específicos e lágrimas artificiais com maior estabilidade, ampliam as possibilidades terapêuticas.
Em casos selecionados, pode-se indicar o uso de soro autólogo, produzido a partir do próprio sangue do paciente, com propriedades regenerativas que auxiliam na recuperação da superfície ocular.
A especialista explicou que o sucesso no controle do olho seco depende de avaliação completa e acompanhamento contínuo. “O tratamento é progressivo e personalizado. Muitas vezes combinamos diferentes estratégias, como mudanças de hábitos, higiene palpebral, tecnologia e medicação, para alcançar melhores resultados”.
Lara Murad também alertou para medidas preventivas, como pausas regulares no uso de telas, piscar conscientemente, manter hidratação adequada e evitar ambientes excessivamente secos. “Com os avanços tecnológicos, pacientes que antes conviviam com desconforto crônico agora têm acesso a terapias mais eficazes, capazes de melhorar significativamente a qualidade de vida”, concluiu a oftalmologista.