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MP denuncia novos envolvidos no esquema do “Faraó dos Bitcoins”

Agentes públicos e empresário são acusados de colaborar com organização liderada por Glaidson Acácio dos Santos

Por Carlos Alvarenga em 25/03/2026 às 17:46:11

Foto: Ilustrativa/IA

O esquema ligado ao chamado “Faraó dos Bitcoins” teve novos desdobramentos após denúncia apresentada em 24 de março de 2026 pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Três pessoas — um policial civil, um guarda municipal e um empresário — foram denunciadas sob a acusação de participação na organização criminosa liderada por Glaidson Acácio dos Santos.

Segundo o Ministério Público, o grupo teria sido beneficiado por acesso indevido a informações sigilosas, o que teria contribuído para a continuidade das atividades ilegais. Os agentes públicos teriam utilizado sistemas restritos para consulta de dados, que teriam sido repassados à organização.

A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), e o afastamento dos servidores de suas funções foi determinado pela Justiça ainda em março de 2026.

Investigação aponta apoio interno ao esquema

De acordo com as investigações, conduzidas ao longo de 2025 e início de 2026, o policial civil teria cometido o crime de corrupção passiva, ao supostamente receber vantagens indevidas em troca do fornecimento de informações. Já o guarda municipal também teria participado do acesso irregular a bancos de dados oficiais.

O empresário denunciado teria atuado como investidor e captador de recursos, sendo responsável por atrair novos clientes para o esquema, principalmente entre 2020 e 2021, período de maior expansão da organização.

Ainda segundo o Ministério Público, o funcionamento do grupo dependia da captação constante de recursos de terceiros, característica típica de esquemas de pirâmide financeira.

Promessas de lucro alto sustentaram operação

A organização teria sido estruturada a partir da empresa GAS Consultoria Bitcoin, que ganhou destaque entre 2019 e 2021, período em que eram oferecidos investimentos com promessas de rentabilidade mensal elevada, frequentemente associada a operações com Bitcoin.

Conforme apurado, retornos de até 10% ao mês teriam sido prometidos aos investidores. No entanto, os ganhos não seriam provenientes de operações reais no mercado financeiro, mas sim da entrada de novos participantes no sistema.

Esse modelo, segundo os investigadores, teria caracterizado um esquema de pirâmide, no qual pagamentos são realizados com recursos de novos investidores, e não com lucros efetivos.

Esquema teria causado prejuízo bilionário

O caso já vinha sendo investigado desde agosto de 2021, quando Glaidson Acácio dos Santos foi preso durante operação policial no Rio de Janeiro. Posteriormente, ele foi condenado em abril de 2025 a mais de 19 anos de prisão por crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta e corrupção.

Estima-se que, entre 2019 e 2021, o esquema tenha movimentado bilhões de reais e causado prejuízos expressivos a milhares de investidores em diferentes regiões do país.

As investigações indicaram que a credibilidade do grupo teria sido reforçada, ao longo desses anos, por demonstrações de riqueza e ostentação, utilizadas como estratégia para atrair novos participantes.

Processo segue em andamento

A nova denúncia, apresentada em março de 2026, amplia o alcance das investigações e reforça a suspeita de que o esquema contou com apoio externo para sua manutenção. Os acusados deverão responder pelos crimes na Justiça, caso a denúncia seja aceita.

O Ministério Público informou, na mesma data, que as apurações continuam, com o objetivo de identificar outros possíveis envolvidos e recuperar valores desviados.

A defesa dos denunciados não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.

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